Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Zambelli e hacker são alvos de operação da PF contra invasão em sistemas do Judiciário, dizem fontes

    Falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria sido inserido no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

    Lucas SchroederLarissa RodriguesElijonas Maiada CNN

    São Paulo e Brasília

    A Polícia Federal (PF) prendeu o hacker Walter Delgatti, que ficou conhecido pelo acesso de mensagens da Operação Lava Jato, nesta quarta-feira (2). A PF também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados à deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A operação tem como objetivo apurar invasões no sistema informatizado do Poder Judiciário.

    Os crimes investigados pela PF ocorreram entre os dias 4 e 6 de janeiro de 2023, quando teriam sido inseridos no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, possivelmente, de outros tribunais pelo país, 11 alvarás de soltura de indivíduos presos por motivos diversos, além de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    De acordo com a PF, as inserções fraudulentas ocorreram após invasão criminosa aos sistemas em questão, com a utilização de credenciais falsas obtidas de forma ilícita, conduta mediante a qual o(s) criminoso(s) passaram a ter controle remoto dos sistemas.

    Viatura da Polícia Federal (PF) em frente ao apartamento funcional da deputada Carla Zambelli (PL-SP), na Asa Sul de Brasília. / Pedro Nogueira/CNN

    “Em prosseguimento às ações em defesa da Constituição e da ordem jurídica, a Polícia Federal está cumprindo mandados judiciais relativos a invasões ou tentativas de invasões de sistemas informatizados do Poder Judiciário da União, no contexto dos ataques às instituições”, escreveu nas redes sociais o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino.

    A assessoria de Carla Zambelli informou à CNN que a deputada federal não irá se manifestar sobre o episódio.

    Em entrevista à CNN, o advogado Ariovaldo Moreira, que representa Walter Delgatti Neto, manteve a versão dada pelo hacker no depoimento à PF de que a invasão ao sistema do CNJ foi feito a pedido de Zambelli.

    Segundo Moreira, não há negociação de delação premiada em andamento. Porém, afirmou que o cliente tem predisposição de colaborar com a Justiça para “trazer até as autoridades o que realmente aconteceu, quem são as pessoas envolvidas, qual é a participação dele e dessas outras pessoas”.

    “Ele fez isso [invasão], e fez isso a mando de Carla Zambelli. Ele é réu confesso e vai responder pelo crime, tem ciência do que ele fez e quer colaborar com as investigações para que se chegue ao que realmente aconteceu”, pontuou.

    Questionado, Moreira não especificou quem seriam as outras pessoas envolvidas, destacando que Walter Delgatti pode dar novos depoimentos às autoridades nos próximos dias.