Zema fala em “farra da corrupção” e diz que lutará para mudar "sistema"

Em entrevista à rádio Itatiaia, ex-governador de Minas Gerais disse que “ninguém está acima da lei”

Gabriela Piva, Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, em São Paulo e em Brasília
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O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) mencionou uma "farra da corrupção" e afirmou que lutará para mudar o "sistema" ao se referir aos planos para o país. A declaração aconteceu nesta segunda-feira (23) em entrevista à rádio Itatiaia.

"Ninguém aguenta mais a farra da corrupção", começou o parlamentar. "Eu estarei lutando na minha pré-campanha por isso. O Brasil precisa tratar todos igualmente, ninguém está acima da lei, nós temos que lutar contra esse sistema perverso que voltou com o PT, que é o sistema do escândalo".

 

Zema renunciou ao cargo de governador de Minas Gerais no domingo (22), de olho na disputa presidencial. No lugar dele foi empossado pela Assembleia Legislativa do estado, o então vice-governador Mateus Simões (PSD).

O desembarque de Zema ocorre a poucos dias do fim do prazo definido pela legislação para que políticos interessados em disputar as eleições se desincompatibilizem de seus cargos públicos. Neste ano, a data-limite para desligamento é o dia 4 de abril.

Zema anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Novo em agosto de 2025.

Domiciliar de Bolsonaro

Na entrevista, Zema também criticou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido também como "Papudinha".

O ex-governador alegou que Bolsonaro deveria ir para uma domiciliar pelas questões de saúde que enfrenta. Atualmente, o ex-presidente está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital DF Star, em Brasília, com broncopneumonia.

Além de chamar o ex-presidente de "preso político", Zema disse ainda que "quem merece prisão é quem mandou Bolsonaro para a cadeia".

"Sou totalmente favorável [à prisão domiciliar]. Ele está com esse problema seríssimo de saúde, é uma questão humanitária, ele tem sido um perseguido político, um preso político e quem hoje está merecendo prisão é quem mandou ele para a cadeia", falou.

Na sequência, Zema citou os supostos contratos de familiares dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), com o extinto Banco Master, investigado por fraudes contra o sistema financeiro.

"Pelo que sei, o Bolsonaro não tem nenhum contrato de milhões como o ministro Alexandre de Moraes e o ministro Toffoli", pontuou.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, assinou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.

Já o resort Tayayá, ligado à família de Toffoli, estaria envolvido numa transação que passa pelo cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Fabiano Zettel, e irmãos de Dias Toffoli.

O resort já teve vínculos diretos com a família do ministro, mas em abril de 2025, foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa.

Agenda de Zema

O primeiro ato de Zema como pré-candidato é uma viagem à cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, nesta segunda-feira (23). Segundo Zema, o parlamentar possui "diversos compromissos" no local nesta terça (24) e quarta (25).

Em seguida, Zema retornará para a cidade de Araxá, no interior de Minas Gerais, para rever os pais e familiares.

Na próxima semana, o ex-governador voltará para São Paulo, desta vez para a capital paulista, onde terá "diversos compromissos na próxima segunda (30) e terça (31)."

 

*Com informações de Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil