4 livros importantes de Zuenir Ventura para relembrar o jornalista
Escritor era membro da Academia Brasileira de Letras e criou obras importantes de não-ficção e reportagem

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22). A informação foi confirmada à CNN Brasil pela Academia Brasileira de Letras (ABL).
Ventura passou por diversas redações no Brasil e construiu a carreira em coberturas políticas e sociais. Em 2008, foi considerado pela ONU "um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos anos". Também foi vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo, do Prêmio Vladimir Herzog e do Prêmio Jabuti de Reportagem.
Reunimos, a seguir, os livros mais importantes de sua obra:
"1968 - O Ano que Não Terminou" (1988)
Na obra, o jornalista retoma um ano importante na história brasileira, em que a ditadura militar decretou o AI-5, Ato Institucional que deu força ao período mais repressivo do regime. Ventura narra os principais eventos desse ano, incluindo o assassinato do estudante Edson Luis, a Passeata dos Cem Mil e do AI-5, a contracultura hippie, o congresso da UNE em Ibiúna, a conspiração de militares de extrema-direita para explodir o Gasômetro e matar milhares de cariocas, o discurso do deputado Márcio Moreira Alves que revoltou as Forças Armadas e a pressão dos radicais pelo endurecimento do regime, entre outros fatos importantes. O livro rendeu a Ventura o Prêmio Jabuti de Reportagem.
"Cidade Partida" (1994)
O livro-reportagem retrata os dez meses que Zuenir Ventura frequentou a favela de Vigário Geral (famosa pela chacina de 21 pessoas em agosto de 1993). Ele comparar a experiência com a mobilização da sociedade civil contra violência que levou ao movimento Viva Rio. O livro tem um estudo importante sobre violência e os contrastes nas grandes cidades e também levou Ventura a um Prêmio Jabuti de Reportagem em 1995.
"Chico Mendes: Crime e Castigo" (2003)
O livro reúne as reportagens que Ventura escreveu sobre a vida e a morte de Chico Mendes, líder sindical e ambientalista da Amazônia. O livro é dividido em três partes, a primeira, "O Crime", com as matérias de 1989 sobre a morte; a segunda, "O Castigo", usando as reportagens produzidas dois anos depois, em 1990, com Marcelo Auler, durante a segunda e a terceira viagens do repórter ao Acre, para cobrir o julgamento dos assassinos; e a terceira, "15 anos depois", quando Zuenir revisitou, em 2003, locais e personagens envolvidos neste crime.
"1969 - O que fizemos de nós" (2008)
Após 20 anos de "1968 - O Ano que Não Terminou", Ventura continua investigando a geração desta época, entendendo como os jovens de 1968 lidaram com aquele ano e os legados que deixaram para as gerações seguintes. Ele confere se o ano não terminou mesmo e quais dos ideais da época seguiram ou foram rechaçados pelos novos tempos.


