"Ainda não passei a odiar a música", diz SUNMI à CNN sobre carreira musical
Cantora abriu o coração sobre os desafios e a pressão que sofreu enquanto produzia seu novo álbum solo "HEART MAID" e afirmou se sentir mais feliz quando fala sobre música, apesar das dificuldades
A cantora e compositora sul-coreana SUNMI, 33, abriu o jogo sobre a pressão que sofreu enquanto produzia seu novo álbum "HEART MAID", lançado em 5 de novembro. Em entrevista à CNN, ela admitiu que, durante o processo, chegou a questionar sua relação com a música, mas garantiu: "Ainda não passei a odiar a música".
Apesar dos desafios enfrentados ao longo de 19 anos de carreira, SUNMI contou que ainda se sente mais feliz quando está falando sobre música, e que colocou muitas de suas emoções na nova obra.
Durante a entrevista, SUNMI também disse que sempre acompanha as interações dos fãs brasileiros e que quer retribuir esse amor, se apresentando no palco para eles. "Se eu tiver a chance de encontrar meus fãs brasileiros algum dia, quero sentir e vivenciar o amor que eles têm me dado esse tempo todo", afirmou a cantora.
SUNMI fez a sua estreia no K-pop em 2007 ao entrar para o primeiro grupo feminino da JYP Entertainment, o histórico Wonder Girls. Junto ao grupo, colecionou sucessos como "Tell me", “So Hot” e "Nobody". Esta última liderou as paradas e ganhou diversos prêmios, incluindo "Canção do Ano", "Melhor Videoclipe" e "Melhor Grupo Feminino" no Mnet KM Music Festival Awards.
Sua carreira solo teve início em 2013, com a estreia do single solo "24 Hours", seguido pelo álbum "Full Moon" em 2014. Ela chegou a retornar com o Wonder Girls no ano de 2015, mas decidiu não renovar o contrato após dois anos. O grupo encerrou suas atividades em 2017.
Com o fim do Wonder Girls, SUNMI deixou a JYP Entertainment e assinou com a Makeus Entertainment (agora conhecida como Abyss Entertainment). O primeiro hit “Gashina”, produzido por Teddy Park, subiu rapidamente nas paradas e a canção foi eleita como uma das melhores músicas de k-pop em 2017.
Conhecida por produções impactantes na indústria coreana, SUNMI traz um conceito animado e irônico em "HEART MAID". A obra é baseada em uma versão mais divertida da lenda coreana da fantasma virgem (Cheonyeo Gwishin).
Na faixa principal, "CYNICAL", ela interpreta uma personagem brincalhona, de blusa branca e cabelos longos despenteados.
"Ao longo da música, eu continuo dizendo coisas como 'Por que tão cínico? Vamos só rir um pouco'", descreveu ela.
Confira a entrevista completa:
1. Seu novo álbum foi inteiramente escrito por você. O que te inspirou criativamente desta vez? Houve algum sentimento ou ideia específica que você quis trazer à tona desde o início?
SUNMI: Eu realmente senti muitas emoções diferentes enquanto me preparava para este álbum. O título do meu álbum é “HEART MAID”, e eu queria que ele contivesse um tom de “cuidadora das emoções”. É um álbum que realmente veio do meu coração, mas também um álbum que nasceu com a intenção de cuidar do coração de quem o escuta. O que eu quis alcançar através deste álbum foi cuidar das emoções das outras pessoas por meio da minha música. Esse foi o sentimento que me levou a criar “HEART MAID”.
2. Desde o começo da sua carreira solo, você tem criado produções únicas no K-pop e escrito letras que exploram o empoderamento e conversas importantes. O que o público pode esperar do seu novo álbum?
SUNMI: Na verdade, esse conceito é muito divertido e interessante. Ele é baseado na lenda coreana do fantasma virgem (Korean virgin ghost lore). Normalmente, quando pensamos em um fantasma virgem na Coreia, é geralmente uma figura trágica que morreu por causa de algum incidente injusto ou doloroso, mas o título “CYNICAL” não combina muito com essa imagem. É sobre alguém que olha para o mundo com um tipo de sorriso frio e distante. Ao longo da música, eu continuo dizendo coisas como “Por que tão cínico? Vamos só rir um pouco.”, ou “Por que olhamos para o mundo de forma tão cínica?” “Vamos relaxar e sorrir um pouco.” O elemento do fantasma virgem na verdade faz todo o conceito parecer meio irônico. Você esperaria que uma personagem assim fosse sombria e cínica, mas, em vez disso, é ela quem diz “Vamos só rir!”, e até age de forma cômica no videoclipe. Ela parece ser uma personagem assustadora, mas no vídeo ela faz coisas bobas. Quando ela já está morta, por exemplo, ela tenta fugir do ceifador (grim reaper), ou usa presilhas fofas no parque de diversões e age toda brincalhona. Acho que esse tipo de ironia é o que torna tudo mais divertido, e espero que as pessoas percebam esses detalhes.
3. Qual parte de “HEART MAID” você acha que vai surpreender as pessoas que acreditam já conhecer a “SUNMI”?
SUNMI: Sim. Acho que há uma boa variedade de gêneros neste álbum. O som que meus fãs normalmente esperam de mim costuma ter fortes elementos de synth-pop, mas em “HEART MAID” eu quis mostrar o máximo de diversidade possível. Tem uma música com vibe de bossa nova, algumas faixas de R&B, uma balada tradicional e até alguns gêneros que vocês nunca ouviram de mim antes. O álbum está cheio de estilos divertidos e inesperados.
4. Você sempre foi incrivelmente expressiva em suas performances. Como você imaginou a performance de palco e os visuais de “CYNICAL”?
SUNMI: Como o tema de “CYNICAL” está ligado ao fantasma virgem, eu também vou me apresentar no palco interpretando essa personagem. Existe até uma aparência específica associada ao fantasma virgem coreano - uma blusa branca longa e cabelos longos e despenteados. Planejo usar esse cabelo comprido de maneiras divertidas durante a performance. E as dançarinas também — elas se movem quase como se fossem uma só pessoa, como se fossem cópias minhas, o que eu acho um elemento muito interessante. Tenho trabalhado bastante para transmitir essa mistura de algo meio assustador, e ao mesmo tempo uma sensação de energia e dinamismo, para capturar totalmente o sentimento de “CYNICAL” no palco.
5. Você debutou em 2007, e a indústria mudou muito desde então. Hoje em dia, promover música também significa fazer TikToks e criar todo tipo de conteúdo online. O que você acha dessas mudanças? E, quando está criando novas músicas, você leva isso em consideração? Tipo, pensa em como elas podem funcionar para challenges ou vídeos curtos?
SUNMI: Desde o meu debut, em 2007, há muitas diferenças entre aquela época e agora. Hoje em dia, você realmente não pode ignorar essas tendências e challenges — eles se tornaram uma parte essencial da indústria, que você simplesmente precisa levar em consideração. Aquela era uma época em que, quando um artista lançava uma música e um videoclipe, as pessoas realmente esperavam por isso, animadas para assistir. Plataformas como a MTV estavam em alta. Hoje, a forma como as pessoas acessam músicas recém-lançadas mudou completamente. Agora, mais do que em plataformas de streaming, muita gente descobre novas músicas por meio de aplicativos de redes sociais, especialmente através de conteúdos curtos. Então, acho que é preciso ser muito flexível ao lançar música atualmente. Porque antes de tudo, isso faz parte da cultura musical hoje. Eu gostaria de manter a singularidade da música popular, e continuar fazendo músicas de quatro minutos, como antigamente. Eu adoraria ter essa atitude “descolada”, mas me pego constantemente me preocupando com isso, já que as tendências se tornaram uma parte tão importante da cultura agora.
6. Você sempre pareceu uma artista que não tem medo de desafiar padrões ou falar abertamente sobre temas difíceis - especialmente com músicas como “Borderline”, em que você falou de forma honesta sobre saúde mental. Você sente que esse tipo de sinceridade é o que define o que é ser uma artista para você?
SUNMI: Honestamente, as emoções não são assim tão diversas em termos de categorias, né? Por exemplo: felicidade, tristeza, ansiedade, arrependimento, raiva, saudade - provavelmente são essas as emoções que a maioria das pessoas citaria de cabeça. Não existe ninguém neste mundo que nunca tenha sentido todas essas emoções pelo menos uma vez na vida, certo? Eu acredito que essas emoções, quando reunidas, formam a história única de cada pessoa. Então, eu sempre tenho algo que quero compartilhar. Dá pra dizer que eu sempre tive minhas próprias histórias que queria dividir. Eu as expresso por meio da minha música ou das minhas performances, e dependendo de qual é essa história, eu posso ser incrivelmente tímida ou, ao contrário, bem excêntrica. Acho que eu sempre fui assim. Pessoalmente, há muita coisa que eu quero compartilhar, e muitas vezes passo a noite em claro pensando e me preocupando com como expressar isso. Então, sim, acho que é isso que significa ser uma artista.
7. E você se imagina fazendo isso - compondo, se apresentando - pelo resto da sua vida? Qual é a importância da música na sua vida?
SUNMI: Pra ser honesta, não tenho muita certeza de quão direta eu deveria ser, mas a música é algo incrivelmente precioso pra mim. No entanto, enquanto eu produzia este álbum, comecei a ter algumas dúvidas. Provavelmente por causa da pressão que eu sentia. Mesmo assim, percebi que ainda me sinto mais feliz quando estou falando sobre música. Às vezes eu penso: “Ah, acho que no fim das contas eu ainda não passei a odiar a música”, ou “Eu deveria continuar com isso por mais um tempo?.” Acho que realmente coloquei muitas das minhas emoções em “HEART MAID”. O MBTI (teste de personalidade) é algo bem grande aqui na Coreia, e eu diria com certeza que sou muito “I” - totalmente introvertida. Como uma pessoa introvertida, coloquei todos os meus sentimentos na preparação deste álbum. Então agora, sinto como se minha bateria tivesse acabado. Ainda não tenho certeza se isso significa que eu preciso de um tempo pra recarregar, ou se de alguma forma eu simplesmente perdi o meu brilho.
8. Você debutou em 2007. Olhando para trás, como você enxerga a sua trajetória até agora? Com o passar dos anos, você aprendeu a lidar com novos desafios e pressões de uma forma diferente? E como conseguiu continuar se reinventando ao longo do caminho?
SUNMI: Antes de tudo, ter sido amada por um período tão incrivelmente longo - 19 anos - fez com que o público se tornasse bastante familiar com quem é a “SUNMI” como pessoa. A minha maior preocupação sempre foi como eu deveria superar todos esses meus maneirismos (hábitos, padrões artísticos). Ao longo desses anos, passei por muitas coisas e me tornei mais tranquila diante de qualquer circunstância. Ainda assim, eu ainda não sei bem qual é a resposta e provavelmente nunca vou saber a resposta, até o dia em que eu morrer. Mesmo tendo enfrentado muitos desafios, eu tive a sorte de receber muito amor do público. Eu tentei muitas vezes me libertar desses padrões. Isso era algo que realmente me preocupava. Depois de 19 anos, conforme eu me acostumei à indústria musical, o público também se acostumou à imagem da “SUNMI”, mas embora eu tenha me “acostumado", a única forma de romper com os padrões é através da música, certo? Então, é meio que uma tarefa pra mim e acho que sempre vai ser assim. Uma tarefa para a qual não tenho resposta. Acho que ninguém sabe a resposta. A era em que vivemos hoje é incrivelmente rápida e imprevisível, e é justamente por isso que superar essas imposições é tão importante pra mim.
9. Por fim, você poderia deixar uma mensagem especial para os seus fãs brasileiros?
SUNMI: Ah, eu realmente quero ir ao Brasil. Eu sei que tenho fãs no Brasil. Sempre vejo meus fãs brasileiros se manifestando. Eles sempre dizem coisas como “O Brasil te ama”. Infelizmente, ainda não estive lá, mas se eu tiver a chance de ir e encontrar meus fãs brasileiros algum dia, quero sentir e vivenciar o amor que eles têm me dado esse tempo todo. Quero ver isso com meus próprios olhos, ouvir com meus próprios ouvidos. Quero retribuir esse amor, me apresentando no palco pra eles. Quero retribuir esses sentimentos através das minhas performances. Sou realmente grata. Amo todos vocês. Obrigada por me darem coragem.


