Esposa nega privilégio de Lito Sousa para remédio experimental: "É direito"

Mila Seidl detalhou trâmites para obter medicamento inédito e afirmou que pretende orientar famílias em situações semelhantes

Giu Aya, da CNN Brasil
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Mila Seidl, 41, esposa do influenciador Lito Sousa, 59, negou que a autorização para obter um medicamento experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob tenha sido resultado de algum privilégio concedido ao marido.

Segundo ela, a família seguiu o procedimento previsto para casos de pacientes graves que não possuem alternativas de tratamento.

Em vídeos publicados nas redes sociais, Mila afirmou que decidiu explicar o caminho percorrido para que outras pessoas com doenças raras possam entender como buscar tratamentos experimentais. Ela destacou que o processo envolve documentação, médicos, hospital, farmacêutica e órgãos reguladores.

Família tentou estudo antes

Mila contou que a primeira tentativa foi incluir Lito em um estudo experimental. A família, porém, recebeu uma negativa porque não havia mais vagas, e não porque ele não atendesse aos critérios.

“A gente participou dos estudos e foi negado. Não porque ele não preenchia os requisitos, mas porque estava tudo fechado. Então, a gente seguiu para outro caminho, que é o uso compassivo do medicamento”, afirmou.

Depois disso, segundo ela, a família conseguiu contato com outra farmacêutica, apresentou o caso de Lito e participou de uma reunião com a empresa. “Conseguimos por meios próprios o contato de outra farmacêutica, fizemos uma reunião com eles e, porque o caso do Lito é muito interessante, eles liberaram o uso compassivo. Aí eu fui atrás de todo o processo."

A esposa do influenciador também rebateu especulações de que autoridades ou empresários teriam ajudado a conseguir o medicamento. Ela afirmou que os contatos iniciais foram feitos pela própria família, com participação dos médicos que acompanham Lito.

“Tem gente falando que teve dedo de ministro para conseguir a medicação, que empresário rico financiou, que a Anvisa conseguiu. É a última vez que eu vou explicar: quem conseguiu a medicação fomos eu e o Lito”, declarou.

De acordo com Mila, após a autorização da farmacêutica, foram necessários procedimentos nos Estados Unidos e no Brasil. O processo envolveu a empresa responsável pelo medicamento, o hospital, a Anvisa, o Ministério da Saúde e a agência reguladora norte-americana, a FDA.

Ela também afirmou que, até o momento, não houve utilização de dinheiro público nem financiamento de terceiros. “Não tem um centavo de dinheiro público, não tem um centavo de outra pessoa nisso. Vocês não me viram abrindo vaquinha nem nada."

Documentação para conseguir o tratamento

Mila explicou que ela e os médicos reuniram exames, documentos científicos e informações fornecidas pela farmacêutica para justificar o pedido de acesso ao medicamento.

“A gente apresentou bastante documentação, estava bem robusto. Eu me preparei bastante. A gente estava bem munido com os documentos que a farmacêutica passou, com os exames, com tudo científico mesmo”, contou.

O Hospital Israelita Albert Einstein, onde Lito realiza o tratamento, solicitou a autorização excepcional para o uso individual da substância. Após a liberação da Anvisa, a própria equipe do paciente deverá providenciar a importação.

"É um direito de qualquer pessoa. Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante. A dificuldade é que essas informações não são claras. Eu tive que correr muito atrás para conseguir isso”, explicou.

Ela também disse que a análise foi acelerada diante da gravidade do quadro, embora o processo ainda tenha levado cerca de uma semana.

Para Mila, a experiência pode servir para melhorar o acesso de outros pacientes a tratamentos experimentais. “Talvez isso traga luz para, a partir de agora, rever esses processos e criar fluxos um pouco mais rápidos para outras famílias”, afirmou.

Uso compassivo

A Anvisa autorizou, na sexta-feira (4), a importação excepcional do ALN-6457, substância experimental produzida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals. O medicamento não tem registro comercial nem representante legal no Brasil.

O produto ainda está em estágio pré-clínico para o tratamento de doenças priônicas e, até então, não havia estudos clínicos formalmente iniciados em seres humanos para essa finalidade. Lito será o primeiro ser humano a receber o medicamento.

A autorização ocorreu por meio do mecanismo de uso compassivo, destinado a pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas disponíveis. Segundo a Anvisa, a decisão levou em consideração a evolução rápida, letal e irreversível da doença e a inexistência de patrocinador ou representante responsável pelo produto no Brasil.

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