Maria Casadevall sobre indicação ao Bibi Ferreira: "Reconhecimento"

Às vésperas de nova temporada nos palcos, atriz celebra o reconhecimento no prêmio e fala, à CNN Brasil, sobre seus próximos passos

Caroline Ferreira, da CNN Brasil
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Prestes a iniciar uma nova temporada do espetáculo "Um Dia Muito Especial" ao lado de Reynaldo Gianecchini, 53, a atriz Maria Casadevall, 39, se prepara para outras estreias nas telonas e nas plataformas digitais.

Alternando entre a Roma autoritária de 1938, em que interpreta uma mulher sufocada pelas convenções de seu tempo, e um suspense contemporâneo focado nas relações de força e intimidade, a artista atravessa uma etapa em que suas escolhas profissionais convergem para um propósito comum: figuras que questionam dogmas e certezas.

No próximo dia 30 de outubro, a atriz sobe ao palco do Teatro Renaissance, em São Paulo, para viver Antonietta na adaptação do aclamado longa-metragem de Ettore Scola.

Com direção de Alexandre Reinecke e tradução assinada por Célia Tolentino, a produção retrata o encontro entre uma dona de casa oprimida pelos padrões vigentes e Gabriele, radialista encurralado pela intolerância do governo totalitário italiano.

A troca entre a dupla converte-se em um debate sobre afeto, emancipação e resistência. As apresentações vão até 20 de dezembro de 2026, com retorno agendado entre 8 e 31 de janeiro de 2027, após uma breve pausa.

O desempenho na peça assegurou à artista indicação ao Prêmio Bibi Ferreira, na categoria de Melhor Atriz em Teatro. Visto como uma das honrarias de maior relevância nos palcos do país, o galardão homenageia uma das figuras mais emblemáticas da história cultural brasileira e celebra anualmente o topo da produção dramática nacional.

À CNN Brasil, Maria diz que o reconhecimento vai além de uma celebração pontual. "Representa o reconhecimento de uma longa caminhada, nada linear, com momentos de grande visibilidade, períodos de recolhimento, dúvidas, medos e a certeza de que, depois de um afastamento importante no pós-pandemia, eu não queria nem poderia voltar a exercer esse ofício da mesma maneira”, pontua.

Ela enxerga a nominação como um selo de permanência. "Uma indicação como essa firma o passo e aponta o norte da bússola para que toda a intensidade e as instabilidades do caminho não nos façam desistir."

O projeto assinala, paralelamente, o retorno a uma linguagem presente desde seus primeiros passos profissionais. Antes de alcançar projeção em todo o país, a atriz integrou a companhia Os Satyros, em 2009.

Anos mais tarde, ganhou enorme notoriedade televisiva com "Amor à Vida" (TV Globo) e diversificou sua trajetória em títulos como "Coisa Mais Linda" (Netflix), "A Garota da Moto" (Prime Video) e "Ilha de Ferro" (Globoplay).

Na sétima arte, seu próximo passo é a estreia de "A Mulher ao Lado", longa que marca a incursão de Bárbara Paz na direção de uma obra de ficção, em parceria com André Faccioli. No enredo, Maria vive Victória, uma figura misteriosa cuja decisão de abrir uma janela voltada para a residência ao lado desestabiliza a rotina dos vizinhos, dando início a uma trama sobre privacidade, atração e abismos sociais.

Já no streaming, ela integra o elenco de “Clube Hedonê”, nova produção do Globoplay baseada nos livros de Sue Hecker. A narrativa tem como ponto de partida um delito cometido em uma agremiação exclusiva da elite, desdobrando-se em uma investigação repleta de segredos, impulsos e disputas de poder.

O elo entre todas essas empreitadas reside no fascínio por enredos que extraem força das sutilezas do dia a dia.

"Me interessa a natureza humana, que está sempre sujeita a se transformar por acontecimentos simples, que parecem ordinários. Estamos condicionados por Hollywood a grandes narrativas fantásticas, que têm seu valor, mas a abordagem das relações humanas e do que existe de mais transformador nelas me interessa muito mais como artista, atriz e contadora de histórias", conclui.

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