Maria Rita conta como morte de Elis Regina a afastou das drogas
Cantora recordou o dia em que descobriu a verdadeira causa do falecimento da mãe, em 1982

A cantora Maria Rita, 48, abriu o jogo sobre o momento em que descobriu a verdadeira causa de sua mãe, Elis Regina, aos 36 anos, em 1982 - um tema que, até então, era lidado como um tabu silencioso dentro de sua casa.
Voz de "Como Nossos Pais", a artista faleceu em 19 de janeiro, vítima de uma parada cardíaca decorrente de uma intoxicação aguda por cocaína e álcool, quando a filha tinha apenas 4 anos.
Em entrevista ao videocast "Conversa vai, conversa vem", a cantora revelou que compreender essa realidade de forma tão precoce foi o fator decisivo que a manteve completamente afastada das drogas ao longo de toda a sua vida.
"Do álcool, não, não vou mentir, mas drogas, 100%. Eu tinha uns 12 ou 13 anos quando descobri a verdade. Antes, me falavam que ela tinha um dodóizinho no coração. Eu tinha o entendimento de que esse era um assunto proibido. Mas um dia, meu pai viajou a trabalho e chamou minha avó para ficar com a gente. E aproveitei. No fundo de um armário tinha uma mini biografia dela, uma coleção chamada 'Os Grandes Gaúchos', acho. Um livrinho que eu ficava lendo. Achava que estava escondido, mas, quando eu ia para a escola, minha avó arrumava o meu quarto e viu embaixo do meu travesseiro", contou.
Maria disse ainda que, no dia em que leu sobre a causa da morte, teve uma reação violenta. "Minha avó abriu a porta do meu quarto, botou a cabecinha assim para dentro, ficou me olhando. Eu falei: 'Vó, é verdade?'. Na troca de olhar, entendi que ela sabia o que eu estava lendo e deixou. Aí virou uma coisa minha e dela, ela passou a confidenciar coisas comigo. Naquele momento, existia uma campanha nacional contra drogas, diziam que era tudo péssimo. E me confundiu a cabeça. Tipo: minha mãe era péssima? Não entendi muito bem."
"Depois de alguns anos, fui fazer um estágio numa revista e a diretora era muito amiga da minha mãe e me disse: 'Opa, peraí, que tem um negócio esquisito aí, você está errada'. Foram duas coisas que ela limpou na mente: que minha mãe era do mal por conta do uso da droga. Ela falou. 'Todo mundo usava, estava experimentando, curtindo a onda. O que falam dela dela não é verdade. Sua mãe era careta, não sabia usar, foi uma fatalidade'. A segunda coisa: 'Sua mãe era completamente apaixonada por você especificamente. Era louca pelos irmãos, claro, mas com você era uma paixão. Tira qualquer dúvida que tenha na cabeça'", acrescentou.
Segundo a sambista, Elis salvou sua vida e sua cabeça. "Fui entender que tenho uma personalidade intensa e preciso tomar cuidado com essas coisas. Sou careta com orgulho".


