Brasil é espelho, diz Petra Costa à CNN sobre cinema brasileiro no exterior
Cineasta lança "Apocalipse nos Trópicos", que investiga o aumento da participação de líderes evangélicos na política

O documentário "Apocalipse nos Trópicos" estreia em cinemas selecionados na quinta-feira (3) e entra no catálogo da Netflix no dia 14 de julho. A produção é mais um dos títulos brasileiros em destaque no cenário internacional. Ele foi exibido no Festival de Veneza de 2024.
Assim como "Ainda Estou Aqui", o título expõe um recorte da realidade brasileira. Em entrevista à CNN, a diretora Petra Costa, responsável pelo documentário indicado ao Oscar "Democracia em Vertigem" (2019), deu sua opinião sobre por que esse tipo de filme faz sucesso no exterior.
"['Ainda Estou Aqui' traz uma] Memória da ditadura de um ponto de vista original também, né? Não de guerrilheiros, mas dentro de uma família de classe média, a partir desse ponto de vista que poderia ser qualquer um. O que acontece quando qualquer um é vítima de um estado autoritário? Isso tá todo mundo vivendo no mundo hoje, infelizmente", disse.
"Isso que é assustador. Muitas pessoas às vezes falam: 'Eu tô vendo esse filme, estou pensando em uma vida brasileira, pensando que isso pode acontecer comigo amanhã'. Acho que o Brasil é esse espelho interessante para muitos outros países, porque é um país continental, com uma população diversa, com história complexa. Então, muita gente se vê no Brasil", continuou.
"Apocalipse nos Trópicos" busca mostrar o aumento da participação de líderes evangélicos na política brasileira enquanto acompanha figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o pastor Silas Malafaia desde antes das eleições presidenciais de 2022.
"Ficou muito claro a onipresença evangélica durante o começo da pandemia. Tanto dando serviços espirituais, médicos, psicológicos que o Estado não estava dando no momento de crise tremenda, quanto também o papel do negacionismo no uso de máscaras, de Jesus cura Covid e até uma visão em algumas tendências de que seria bom, de que o Covid é bom, como um sinal do Apocalipse e da aceleração do fim do mundo", explicou a diretora.
Segundo o documentário, o número de evangélicos no Brasil cresceu 35% nos últimos 40 anos. Petra chama isso de "uma das mudanças religiosas mais rápidas da humanidade".
Tendo Silas Malafaia como um dos principais interlocutores, a cineasta mostra a participação do movimento evangélico no governo Bolsonaro e como o presidente Lula lida com a comunidade.


