Conheça a trajetória de Kleber Mendonça Filho no Oscar

De "O Som ao Redor" a "O Agente Secreto", diretor pernambucano tentou por mais de uma década chegar às indicações — e em 2026 conquistou quatro de uma vez

Flávio Pinto, colaboração para a CNN Brasil

Durante anos, Kleber Mendonça Filho, 57, esteve perto do Oscar sem jamais cruzar a linha das indicações. O pernambucano é hoje um dos cineastas brasileiros com maior prestígio internacional, mas o reconhecimento da Academia demorou a chegar — e quando veio, foi de forma avassaladora.

A primeira tentativa ocorreu em 2013, quando "O Som ao Redor", seu longa de estreia na ficção, foi escolhido pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2014 de Melhor Filme Internacional.

O filme não avançou à lista final de indicados, mas chamou atenção da crítica norte-americana: o The New York Times o incluiu entre os dez melhores filmes do mundo naquele ano.

Com "Aquarius" (2016), Mendonça Filho chegaria à competição principal do Festival de Cannes — mas sequer chegou a ser escolhido como representante brasileiro ao Oscar.

A comissão instituída pelo Ministério da Cultura, então sob o governo Michel Temer, preferiu "Pequeno Segredo", de David Schurmann, em um episódio amplamente interpretado como retaliação política ao protesto que a equipe de "Aquarius" fizera no tapete vermelho de Cannes contra o impeachment de Dilma Rousseff.

O próprio diretor, ao saber da decisão, disse que ela estava "em total sintonia com a realidade política do Brasil". "Pequeno Segredo" não passou nem da lista preliminar da Academia.

A segunda candidatura veio em 2023, quando "Retratos Fantasmas" foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema como representante do país para o Oscar 2024. Era a segunda vez que um documentário tentava uma vaga na categoria — e a segunda vez que uma produção de Mendonça Filho era submetida à Academia.

O filme também ficou de fora da lista de pré-indicados, sem avançar nem na categoria de Melhor Documentário.

Ao todo, três filmes de Mendonça Filho tentaram uma vaga na Academia antes de "O Agente Secreto" — e nenhum conseguiu sequer chegar à fase final.

A virada veio em 2025. "O Agente Secreto" estreou em Cannes com duplo prêmio: Melhor Diretor para Mendonça Filho e Melhor Ator para Wagner Moura. A partir daí, a campanha ganhou força.

O filme venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e o Critics' Choice de Melhor Filme Internacional, e chegou à temporada do Oscar com quatro indicações — Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco —, igualando o recorde de "Cidade de Deus" (2004) como o filme brasileiro com mais nomeações na história da premiação.

Na noite de 15 de março, Mendonça Filho saberá se a persistência de mais de uma década de tentativas resultará, enfim, em uma estatueta.

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