Documentário feito com ajuda de IA é lançado e gera debate em Veneza
Longa "Be Brave" testa o espaço desse tipo de tecnologia no cinema comercial

Um documentário que retrata a ascensão de Renzo Rosso, fundador da marca de moda Diesel, estreou no Festival de Cinema de Veneza nesta quinta-feira (10), tornando-se uma das primeiras produções assistidas por inteligência artificial a testar o espaço dessa tecnologia no cinema comercial.
Dirigido por Francesco Carrozzini, "Be Brave" combina entrevistas reais e imagens de arquivo com vídeos gerados por IA tão convincentes que os espectadores provavelmente terão dificuldade para perceber que muitas sequências não são reais.
A preocupação com o impacto da IA na criatividade e nos empregos da indústria do entretenimento esteve no centro das atenções em Veneza, com vários cineastas e atores, incluindo George Clooney, alertando sobre os riscos impostos por essa tecnologia em rápida evolução.
O produtor de "Be Brave", Lorenzo Mieli, reconheceu essas preocupações, mas afirmou que a indústria precisa se engajar com a IA em vez de rejeitá-la sumariamente.
Rosso, que cresceu na zona rural do nordeste da Itália, transformou a Diesel de uma pequena empresa de jeans em uma das marcas de moda mais reconhecidas do mundo, consolidando sua reputação como um empresário que prosperou com a inovação e a tomada de riscos.
"Tive uma vida bastante louca. Fiz coisas incríveis. (Mas) eu não estava interessado em fazer um filme sobre a minha vida, nem em contar a todos o quão incrível ou descolado eu sou", disse Rosso.
No entanto, descrevendo-se como um entusiasta da tecnologia, ele contou que aceitou a ideia do documentário quando soube que a produção contaria com o uso de IA.
O filme recria períodos da vida de Rosso para os quais não existem registros em vídeo, incluindo cenas de sua infância.
"Não havia imagens minhas de quando eu era pequeno", disse ele. "Ver a mim mesmo quando criança falando me tirou lágrimas dos olhos."
Carrozzini afirmou que a IA foi utilizada ao longo de todo o documentário, incluindo cenas em que o Rosso mais velho parecia estar presente em carne e osso. "Nenhum frame do Renzo foi gravado para este documentário", revelou.
Por outro lado, entrevistas com personalidades como a editora de moda Anna Wintour e o estilista John Galliano são conversas gravadas de fato, exibidas contra cenários estilizados ou retocados.
Rosso rejeitou a ideia de que a tecnologia venha a substituir estilistas e artistas no futuro.
"A criatividade não é substituída pela máquina", disse ele. "Os seres humanos continuam sendo fundamentais."
"Be Brave" está em exibição fora de competição no Festival de Cinema de Veneza, que se encerra no sábado (12).


