Novo terror "Insaciável" é crítica à obsessão por emagrecer; conheça
Destaque no festival de Sundance, filme chega aos cinemas nesta quinta-feira (6)

Em um momento em que medicamentos para emagrecimento ocupam o centro das discussões sobre saúde e padrões estéticos, o novo longa-metragem "Insaciável" transforma essa obsessão em horror. Com ecos do mais recente sucesso "A Substância" (2024), a produção dirigida por Natalie Erika James ("Relíquia Macabra") usa o conceito de "body horror" (horror corporal) para discutir compulsão alimentar, cultura da dieta e a busca incessante pelo corpo ideal. Distribuído pela Diamond Films, o filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira (6).
A história acompanha Hana (Midori Francis), uma universitária que encontra o que parece ser a solução definitiva para emagrecer. Determinada a alcançar o corpo que acredita ser ideal, ela inicia um tratamento radical à base de pílulas sem questionar sua origem — até descobrir que os comprimidos são produzidos a partir de cinzas humanas.
Mesmo diante da revelação, Hana segue consumindo o medicamento, mergulhando em uma espiral de obsessão e consequências cada vez mais perturbadoras.
"Insaciável" bebe da recente onda do chamado beauty horror, vertente do body horror que utiliza transformações físicas grotescas para refletir sobre os impactos psicológicos e sociais dos padrões de beleza. Nos últimos anos, produções como "A Substância" e "A Meia-Irmã Feia" (2025) ajudaram a consolidar esse subgênero ao tratar procedimentos estéticos, envelhecimento e magreza extrema como fonte de terror.
O longa-metragem aposta em imagens desconfortáveis e cenas gráficas para traduzir a violência física e emocional da obsessão pelo emagrecimento. A discussão ganha ainda mais força em meio ao crescimento do uso de medicamentos para perda de peso. Segundo pesquisa do Instituto Ifepec obtida pela CNN Brasil recentemente, 7% dos pacientes afirmaram já ter utilizado medicamentos da classe GLP-1 -- responsáveis por aumentar a sensação de saciedade -- sem prescrição médica antes da primeira consulta.
Destaque internacional
"Insaciável" começou sua trajetória conquistando destaque no circuito de festivais – o terror foi selecionado para eventos relevantes como Sundance e Berlim, onde ganhou também a atenção da crítica.
No jornal britânico The Guardian, Luke Buckmaster escreveu que a diretora “une o terror sobrenatural com pavor corporal sem cair em clichês de filmes de fantasma”. Já o texto de Tomris Laffly no portal americano "Roger Ebert" afirma que “Insaciável prova que, em um grande filme de terror, medo e desesperança caminham lado a lado".
Baseado em fatos reais?
Natalie Erika James afirma que o ponto de partida surgiu de sua própria vivência familiar.
"Cresci com pais que estão em lados opostos do espectro em termos da sua relação com o próprio corpo, com a comida e com a alimentação", disse a diretora à Variety. "Por um lado, meu pai realmente lutou com a compulsão alimentar. Minha mãe, quase que em resposta, era extremamente estrita com sua dieta e muito preocupada com a saúde. No meio disso, a hora da refeição parecia um campo minado. Cresci com várias ideias distorcidas sobre imagem corporal, como acontece com vários de nós. Levou um tempo longo para processar essa noção, e a ideia [para o filme] veio desse processo de recuperação", afirmou ela, em entrevista à revista norte-americana Variety.
“Tenho certeza de que teremos muitas discussões, principalmente neste momento com a glamourização da magreza extrema. O filme evidencia como a cultura da dieta e o estigma sobre o peso são parte da nossa cultura. É um problema real e isso precisa mudar", complementou.


