“O Convite” traz desconforto em meio à risada ao expor desejo e hiprocrisia

Filme estrelado por Olivia Wilde, Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton chega aos cinemas nesta quinta-feira (9)

Marina Toledo, da CNN Brasil
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A comédia "O Convite" estreia nesta quinta-feira (9) nos cinemas brasileiros. Considerada um dos melhores lançamentos do ano, a produção teve a primeira exibição no Festival de Sundance em janeiro e travou uma disputa entre distribuidoras.

A A24, conhecida por produções como "Aftersun" e "Vidas Passadas", foi quem venceu a briga ao pagar mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 51 milhões) pelos direitos nos EUA, superando empresas como Neon e o novo selo da Warner Bros., Clockworth, segundo veículos especializados do país. No Brasil, a distribuição é da O2 Play.

A comédia coloca Olivia Wilde de volta aos holofotes em Hollywood, após o polêmico "Não Se Preocupe, Querida" (2022). Ela não só dirige, mas também estrela a comédia ao lado de Edward Norton ("Clube da Luta"), Penélope Cruz ("Vicky Cristina Barcelona") e Seth Rogen ("Ligeiramente Grávidos").

Apoiada no roteiro de Will McCormack ("Se Algo Acontecer... Te Amo") e Rashida Jones ("Parks and Recreation"), Wilde cria uma atmosfera de desconforto enquanto faz o público rir da dinâmica e hipocrisia de dois casais que se encontram para um jantar.

Angela e Joe recebem Hawk e Pinã em seu grande e aconchegante apartamento -- que vira tema de um dos melhores diálogos do filme e é o que motiva o encontro entre esse quarteto.

Eles são casados há quase duas décadas. Hank e Piña estão namorando há um ano. Talvez essa informação já explique tamanha diferença na dinâmica e trato entre os dois casais.

Na visão de Edward Norton, o seu personagem e o Cruz já passaram pela fase que os anfitriões estão passando, por isso aparentam ter uma relação melhor.

"Joe e Angela estão sendo expostos a algo durante a noite, mas você descobre que o Hawke e a Pina passaram por suas próprias versões da necessidade de precisar mudar", disse em entrevista à CNN Brasil.

Desejo e hipocrisia

Em um momento do filme, Angela comenta que ela e o marido não costumam receber gente em casa, então tudo que eles vivem ali parece inédito, principalmente a dinâmica e revelação de Piña e Hawk.

Uma realidade paralela de um casal de 40 anos é escancarada na cara dos anfitriões, que exalam culpa e insatisfação um com o outro. O que era um jantar vira uma espécie de terapia de casal e desejo fantasioso.

Os vizinhos são apresentados ao telespectador inicialmente como barulhentos, o que incomoda Joe e Angela. No momento em que eles contam o motivo, a hipocrisia aparece enquanto gera fascínio. "É o melhor dia da minha vida", diz Angela.

Em contrapartida, o cenário expõe os problemas ignorados pelo casal. O olhar de admiração, perplexidade e a vontade de agradar em um dado momento vira alívio, quando Hawk e Piña protagonizam um desentendimento.

"É uma das coisas que eu realmente admiro no que a Olivia fez. Ela realmente nos empurrou para olhar um pouco mais a fundo, olhar o que inspira a mudança em todo mundo. Acho que é o que complementa para torná-los mais humanos", disse Norton.

"Pilotos de precisão"

Para sustentar um filme de apenas quatro personagens em um único cenário, Olivia precisou uma boa direção, uma boa trilha sonora e um bom elenco.

O elenco, por si só, já chama atenção: ator indicado quatro vezes ao Oscar, um dos principais nomes da comédia norte-americana, um dos principais ícones latinos e sensuais de Hollywood e uma diretora e atriz em ascensão.

"A questão é realmente quem vai dar vida a uma história, o que é ainda mais arriscado quando a história nunca muda de tempo ou espaço. Nós nunca saímos da sala — quer dizer, do apartamento —, nós nunca nos movemos no tempo", disse Olivia Wilder em entrevista à CNN Brasil.

"Foi como se você tivesse que contratar pilotos de precisão para conseguir fazer essas curvas e nunca, nunca mesmo perder o fio desse ritmo muito específico que precisava ser correspondido e sustentado, e isso simplesmente não é para os fracos de coração", completou.

A experiência de Edward Norton, o timing cômico de Seth Rogen, a presença de Penélope Cruz e a maestria de Olivia Wilde tornam "O Convite" uma comédia romântica pouco romântica, mas real e reflexiva.

Assista ao trailer de "O Convite"

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