“O Outro Lado das Redes”: roteirista explica novo filme sobre Facebook

Vencedor do Oscar, Aaron Sorkin disse que estava tendo um bloqueio criativo quando teve contato com as denúncias de uma ex-funcionária da empresa dona da rede social

Lisa Richwine, da Reuters
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Aaron Sorkin, o roteirista vencedor do Oscar por “A Rede Social”, disse que não tinha a intenção de fazer outro filme sobre o Facebook.

Sorkin vinha tendo dificuldades para encontrar uma ideia para um novo projeto quando conheceu Frances Haugen, uma ex-funcionária do Facebook e denunciante cujas revelações levantaram preocupações sobre o impacto das plataformas de mídia social da empresa na saúde, na segurança e na política global.

A história que ele criou, contada no filme “O Outro Lado das Redes”, estreará nos cinemas neste mês.

“Eu estava procurando uma boa história e, após um período de cerca de um ano de um bloqueio criativo épico, sem conseguir pensar em nenhuma história, conheci Frances Haugen e, de repente, uma boa história começou a tomar forma na minha cabeça”, disse Sorkin, que também dirigiu o filme, em entrevista à Reuters.

“A Rede Social”, lançado em 2010, contava a história da origem do Facebook — que, desde então, mudou seu nome para Meta — e tinha Jesse Eisenberg no papel do fundador Mark Zuckerberg.

O novo filme gira em torno de Haugen e do jornalista Jeff Horwitz, que escreveu uma série para o Wall Street Journal chamada “The Facebook Files”, iniciada em 2021 e baseada em grande parte nos milhares de documentos internos que ela lhe forneceu.

“É uma história de Davi e Golias, mas há dois Davis”, disse Sorkin. “Um deles é Frances. Ela pega uma pedra e a arremessa contra o Facebook, e o outro é o jornalismo impresso. Eles pegam uma pedra e a arremessam contra o setor de tecnologia.”

Horwitz, que posteriormente detalhou a história em seu livro de 2023, “Broken Code”, agora trabalha como repórter investigativo para a Reuters e continuou cobrindo a Meta, ganhando este ano o Prêmio Pulitzer na categoria de reportagem de cobertura especializada junto com o colega Engen Tham por reportagens que expuseram como a Meta permitiu que seus chatbots se envolvessem em comportamentos provocativos e arrecadassem bilhões de dólares em receita com anúncios fraudulentos.

A Sony Pictures comprou os direitos sobre a história de sua vida em conexão com suas reportagens anteriores sobre o Facebook, quando trabalhava no Wall Street Journal.

“O Outro Lado das Redes” é um relato ficcionalizado dos eventos e não se baseia nas reportagens de Horwitz sobre a rede social em questão, o Instagram ou a Meta, desde que ele ingressou na Reuters em 2025.

O filme narra os encontros de Haugen com Horwitz a partir de dezembro de 2020 e sua relutância em se manifestar publicamente. Haugen acaba concluindo que as revelações terão mais impacto se seu nome for divulgado e decide falar oficialmente. Ela também testemunhou perante o Congresso para explicar como acreditava que o algoritmo do Facebook estava promovendo conteúdo que gerava divisão em busca de lucros.

Um porta-voz da Meta se recusou a comentar sobre o filme.

Quando Haugen prestou depoimento, o Facebook afirmou que a empresa discordava de sua descrição de como funcionava. Zuckerberg defendeu a empresa em uma postagem no Facebook, escrevendo que “o argumento de que promovemos deliberadamente conteúdo que irrita as pessoas para obter lucro é profundamente ilógico”.

Em agosto, a Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões (cerca de R$ 90 bilhões) na próxima década para limitar estritamente o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes, conforme um acordo com os Estados dos EUA.

A empresa negou qualquer irregularidade e afirmou que garantir que os adolescentes tenham uma “experiência segura e produtiva em nossas plataformas” é um “imperativo absoluto” para a empresa.

Embora Horwitz não tenha se envolvido na produção do filme e não tivesse voz ativa sobre seu conteúdo, ele se reuniu com Sorkin e respondeu às perguntas dele sobre o processo de reportagem e sua relação com Haugen. Segundo o roteirista, Sorkin disse que usaria alguma liberdade artística.

“Ele me disse que achava que precisaria alterar um pouco a cronologia e alguns detalhes para que a história que tinha em mente funcionasse”, declarou Horwitz, que só leu o roteiro depois que ele ficou pronto. “Ele também me disse que queria tomar algumas liberdades com o ‘Jeff do filme’, que seria uma espécie de personagem fictício, uma síntese de repórteres investigativos. Definitivamente, seria uma situação do tipo ‘inspirado em, não baseado em’.”

Sorkin disse que os principais fatos da história são precisos, embora ele tenha precisado criar diálogos e uma linha do tempo para construir uma narrativa cinematográfica envolvente.

Assista ao trailer

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