"Resident Evil": Zach Cregger diz que preferiu "jogabilidade" à fidelidade
Diretor de "A Hora do Mal" usou olhar ousado e paixão de fã para construir uma nova versão da franquia nos cinemas

Diretor de "Noites Brutais" (2022) e "A Hora do Mal" (2025), Zach Cregger não quis transformar o novo filme de “Resident Evil” em uma reprodução das histórias já conhecidas pelos fãs dos videogames. Mas, nem por isso, deixou de ser fiel ao que faz a franquia ser o que é. Para o cineasta, a fidelidade está, além da ambientação, em transportar para o cinema a experiência de estar no controle de um dos jogos.
O longa-metragem usa o universo criado pela Capcom como ponto de partida para uma trama original, preservando elementos que fizeram da série uma referência do terror. Em entrevista à CNN Brasil, Cregger revelou que seu principal objetivo foi trazer a jogabilidade do videogame para as telas do cinema. O diretor utilizou um jogo de câmera inspirado na perspectiva de quem está jogando, no qual a câmera acompanha o personagem e muda de ângulo à medida que os zumbis se aproximam.
"Toda a estrutura principal dos jogos está ali. Mas acho que o que me faz jogar 'Resident Evil' não são necessariamente as cenas cinematográficas dos jogos ou os personagens, e sim a própria jogabilidade. Então, eu queria fazer um filme que fosse realmente autêntico em relação à experiência de jogar. E foi isso que fizemos", disse.
O telespectador descobre os perigos do cenário ao mesmo tempo em que o protagonista avança, recriando a sensação de adentrar um corredor escuro sem saber o que está escondido na próxima curva. Um disparo impactante de arma de fogo, inclusive, pode quebrar a dinâmica e jogar o enquadramento diretamente para a primeira pessoa.
Para fazer "Resident Evil" sem contar a história dos personagens dos jogos, a questão também está no subgênero do survival horror, destacou ele. "Está em avançar por esse ambiente aterrorizante com munição limitada. E é realmente sobre aquela sensação de pavor”, afirmou.
A trama se passa em Raccoon City, enquanto o T-vírus, ligado à Umbrella Corporation, provoca o caos.
O protagonista, porém, não é Leon S. Kennedy, Jill Valentine ou outro personagem conhecido dos games. Protagonizado por Austin Abrams (“A Hora do Mal”, “The Walking Dead” e “Euphoria”), o filme acompanha Bryan, um entregador médico que, de forma inesperada, precisa lutar pela sobrevivência em uma noite cada vez mais sombria, horripilante e caótica.
Terror visceral
Cregger adaptou a linguagem que marcou seus dois filmes anteriores. Em “Noites Brutais” e “A Hora do Mal”, o cineasta apostou no desconforto e em imagens perturbadoras para construir o terror. “Resident Evil”, por outro lado, traz monstros, violência e sequências de ação como parte de sua proposta.
Questionado pela CNN sobre como levou sua assinatura para esse universo, o diretor reconheceu que não poderia repetir a fórmula dos trabalhos anteriores.
“É um pouco mais difícil porque este é, propositalmente, um filme um pouco diferente. Não é um terror tão psicológico quanto aqueles. Então, seria errado da minha parte tentar fazer com que ele fosse apenas sobre atmosfera e imagens inquietantes.”
A alternativa foi tornar o horror mais físico.
“Eu preciso partir para algo visceral, sabe? Violento, surpreendente.”
No entanto, quem é fã do estilo do profissional, não ficará sem se surpreender. "Há algumas imagens aqui de que gosto muito e que aparecem mais para o fim do filme. Você vai ter que acreditar na minha palavra, porque não posso mostrá-las.”
"Resident Evil" estreou nos cinemas na última quinta-feira (17). O elenco ainda conta com Zach Cherry (“Ruptura”), Kali Reis (“True Detective: Terra Noturna”) e Paul Walter Hauser (“O Caso Richard Jewell”).


