Ícone da arte contemporânea, David Hockney morre aos 88 anos
Artista se tornou uma das figuras mais queridas da arte contemporânea

O pintor britânico David Hockney, cujos retratos vibrantes e representações ensolaradas do cotidiano o tornaram uma das figuras mais queridas da arte contemporânea, morreu aos 88 anos.
O artista faleceu "pacificamente em casa" na quinta-feira (11), a apenas um mês de completar 89 anos, de acordo com um comunicado enviado à CNN por sua assessora de imprensa de longa data, Erica Bolton.
Nascido em Bradford, no Reino Unido, em 1937, Hockney frequentou a escola de artes local antes de estudar no prestigiado Royal College of Art, em Londres. Bem-sucedido desde o início da carreira, ele logo se mudou para Los Angeles, onde passou grande parte dos anos 1960 e acabou se estabelecendo de vez.
Enquanto lecionava em várias faculdades americanas, ele se consolidou como uma figura central no movimento da Pop Art. Como muitos de seus contemporâneos, Hockney injetava cores brilhantes e linhas dançantes em seu trabalho. Mas, enquanto nomes como Andy Warhol (apenas 9 anos mais velho que ele) focavam no comercialismo e na sociedade de consumo, Hockney parecia mais interessado em seu entorno imediato.
Seu estilo realista e profundamente pessoal era marcado por autorretratos, naturezas-mortas e retratos de amigos e amantes — e, mais tarde, de seus dachshunds Stanley e Boodgie, a quem ele imortalizou em uma série de pinturas e em um livro. Tendo se assumido gay no início dos anos 20 — uma época em que a homossexualidade ainda era ilegal na Inglaterra —, ele também explorou a sexualidade por meio de imagens ludicamente explícitas e recortes quase mundanos da vida doméstica: homens tomando banho ou sentados juntos em silêncio.
Entre suas obras mais conhecidas desse período está uma série de pinturas de piscinas cheias de luz que pareciam congelar um instante no tempo. Mas sua obra era diversa, abrangendo fotografia, gravura e cenografia para produções de balé e ópera. Nos anos 1980, ele passou a produzir colagens de fotos, e muitas de suas paisagens tardias — frequentemente mais abstratas — também foram muito bem recebidas.
Hockney guardou grande parte de sua própria obra e criou uma fundação homônima para gerenciá-la. As pinturas que foram ao mercado valorizaram drasticamente nos últimos anos.
Em 2018, "Portrait of an Artist (Pool with Two Figures)" foi arrematada por US$ 90,3 milhões, tornando-se (mesmo que por pouco tempo) a obra mais cara de um artista vivo já vendida em um leilão. No ano seguinte, seu duplo retrato "Henry Geldzahler and Christopher Scott" foi vendido por US$ 49,5 milhões na Christie's, enquanto sua paisagem de 1980, "Nichols Canyon", passou dos US$ 41 milhões.
Ainda assim, Hockney nunca pareceu especialmente interessado no sucesso comercial de seu trabalho. Ele também não colheu todos os lucros: sua icônica pintura da piscina foi vendida por seu marchand de Nova York por apenas US$ 18.000 em 1972. E, apesar de suas conquistas, ele continuou trabalhando até seus últimos anos. Quando a CNN visitou seu estúdio na Califórnia em 2017, Hockney, então com 80 anos, disse que ainda pintava por seis ou sete horas todos os dias.
"Estou perfeitamente feliz fazendo isso", disse ele na época. "Sinto-me com 30 anos quando estou no estúdio, então venho todos os dias e trabalho, porque é assim que me sinto jovem."
A essa altura, Hockney, que nunca teve medo de experimentar novas tecnologias, já havia começado a criar arte usando um iPad. Ao passar grande parte da pandemia da Covid-19 na Normandia, França, ele produziu uma série de representações digitais da paisagem rural ao redor, que mais tarde foram impressas e exibidas na Royal Academy de Londres e no de Young Museum em San Francisco, entre outros espaços.
Com sua cabeleira loira (depois grisalha), óculos grandes e, frequentemente, um cigarro na mão, Hockney era uma das figuras mais reconhecíveis do mundo da arte. Durante sua vida, foi tema de várias retrospectivas importantes, incluindo uma em 2017 que passou pela Tate Britain, pelo Centre Pompidou em Paris e pelo Metropolitan Museum of Art em Nova York.
Um comunicado do diretor da Tate Britain, Alex Farquharson, elogiou Hockney como um "artista infinitamente inventivo" que "nos ensinou sobre a alegria de olhar, enxergando coisas que o resto de nós não conseguia notar — suas observações espirituosas e perspicazes foram uma presença constante em sua obra e em sua vida".
Ele também estava entre os artistas mais condecorados do Reino Unido, tendo sido convidado a ingressar na Royal Academy e, entre outras honrarias, premiado com o John Moores Painting Prize e o prêmio Praemium Imperiale de pintura da Associação de Arte do Japão.
Embora tenha recusado o título de cavaleiro (knighthood), ele aceitou em 2012 o convite da Rainha Elizabeth II para a Ordem do Mérito, um grupo de figuras públicas celebradas limitado a no máximo 24 membros por vez. (No legítimo estilo Hockney, ele compareceu a um dos almoços da Ordem no Palácio de Buckingham calçando um par de Crocs amarelos brilhantes — para o visível deleite do sucessor de Elizabeth, o Rei Charles III).
No comunicado em que anunciou a morte de Hockney, Bolton o descreveu como "uma das figuras mais importantes da arte contemporânea tanto no século XX quanto no XXI". A assessora acrescentou que seu "legado duradouro reflete seu profundo entusiasmo pela vida, seu excelente senso de humor, sua imensa generosidade e sua curiosidade investigativa, sintetizados por sua frase registrada: 'ame a vida'".



