Referência em música eletrônica, São Paulo está virando a nova Berlim?

Cena do gênero na capital paulista é tão efervescente e diversa que já inspira alguns dos principais centros globais

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Não é raro encontrar relatos nas redes sociais que comparem a diversidade, pujança e efervescência da cena de música eletrônica de São Paulo com a de Berlim, cidade que é referência mundial no gênero. É na capital paulista que se reúnem alguns dos maiores nomes do mundo, formando um cardápio de opções variadas para quem deseja aproveitar a noite com a vertente do ritmo que mais lhe agradar.

Carol Mattos, fundadora e gerente de vendas da Shotgun Brasil, uma das principais plataformas de vendas de ingressos para casas noturnas do Brasil, acha que São Paulo vai além e já é capaz de pautar a cena mundial; inclusive a de Berlim.

"É mais do que ser uma nova Berlim. Berlim está se referenciando na cena de São Paulo. A cena de São Paulo está exportando música, referência e artistas", declarou Carol, que também é DJ. "Hoje em dia, você não vai a uma balada em Berlim sem ouvir funk no meio de algum set de música eletrônica. O Brasil e São Paulo já são referência global há bastante tempo, mas acho que, neste momento, isso está acontecendo como nunca foi antes. O Brasil está no hype."

Ela destaca como pontos fortes da cena paulistana a diversidade, evidenciada pelas festas, coletivos, clubes e festivais que produzem rolês, e a qualidade da infraestrutura.

"Estamos em um momento em que a cena está muito diversa e também muito profissionalizada. Temos uma alta qualidade de infraestrutura, curadoria, qualidade artística e experiência oferecida ao público. E isso está muito em cima de onde a gente trabalha também: da qualidade dessa experiência, de referência no que está sendo feito e criado e de como podemos aproveitar isso para oferecer a melhor experiência possível ao público", defendeu Carol.

"Acredito que essa é uma grande preocupação de quem está produzindo eventos, mas também uma demanda de quem está indo e aproveitando essas experiências."

Cardápio com opções variadas

Para driblar o algoritmo das redes sociais, a Shotgun busca reunir em um só lugar uma vasta gama de opções de festas e eventos com uma curadoria fina. No caso da cena eletrônica, o mais novo passo foi assumir o posto de plataforma de vendas oficiais do Dr. Banana Club, um dos principais clubes de São Paulo, que se junta a uma longa lista de rolês variados do gênero na capital paulista.

A ideia é usar um algoritmo inteligente, que analise os rolês que a pessoa foi, o que sua rede de amigos está fazendo e outros fatores para entregar opções que possam se encaixar no perfil dela. Seja um clube com uma experiência mais premium, ou uma festa popular organizada por um coletivo.

"Depender do Instagram também é muito difícil para os produtores. Não basta construir uma base de seguidores. Eles precisam investir muito em patrocínio de posts, tráfego pago e toda essa estrutura", explica.

"Se eu sou produtor e tenho meus seguidores na Shotgun, tenho certeza de que, quando publico um evento, ele vai chegar para todo mundo. É realmente criar um ambiente mais saudável e mais eficiente, em que as pessoas consigam encontrar onde sair e saber onde os amigos estão indo — uma coisa que o Facebook tinha e o Instagram não tem mais."

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