Grag Queen e Taiga Brava celebram latinidade em spin-off de "Drag Race"

Artistas se encontraram durante as gravações de "Drag Race México: Latina Royale"

Paulo Vito, colaboração para a CNN Brasil
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Estrelas da arte drag, Grag Queen e Taiga Brava tiveram um encontro surpreendente em "Drag Race México: Latina Royale", spin-off que celebra trajetórias de rainhas da América Latina.

A temporada, que estreou em 30 de julho na plataforma WOW Presents Plus, promove uma competição entre queens de países latinos.

Grag, que venceu a primeira temporada do "Queen of the Universe", em 2021, foi jurada de dois episódios da competição comandada por Taiga, a campeã da segunda temporada do programa.

À CNN Brasil, Grag Queen comentou sobre a oportunidade de celebrar a arte latina LGBTQIA+ em um novo projeto voltado à América Latina, onde essa cultura é tão forte.

Taiga Brava, por sua vez, destacou que a reunião de pessoas com culturas tão fortes é motivo de festa. "Nossa latinidade não é uma competição. É uma celebração", afirmou.

Confira a conversa de Grag Queen e Taiga Brava com a CNN Brasil:

Grag Queen:

O que representou, pessoal e profissionalmente, receber o convite para ser jurada convidada de uma edição que celebra a potência de artistas latinas? 

Pessoalmente, no momento em que vivemos, me sinto extremamente feliz por fazer parte dessa celebração da nossa existência e arte latina. Como não é segredo para ninguém, eu sou extremamente fã da franquia, amo o formato e, toda vez que estou fazendo algo relacionado a isso, realmente é um frenesi de emoções, porque faz parte de um lugar muito afetivo, e ao mesmo tempo, uma realidade (na minha vida). Então é realmente uma mistura entre tentar fazer a ficha e, ao mesmo tempo, estar ali super presente a fim de ajudá-las, a fim de fazê-las crescer como uma boa jurada. Amei ser jurada, inclusive. 

Você chega a esse painel como cantora, performer, vencedora de "Queen of the Universe" e host de "Drag Race Brasil". Como as vitórias influenciarão seu papel na avaliação das participantes? 

Acho que vou dar os conselhos que todo mundo quer ouvir, né? Vou falar das minhas estratégias e táticas para chegar à vitória, para chegar ao topo. E, infelizmente, se quiserem conselhos de como perder, eu não vou saber nem dar.

Como foi essa troca com Taiga nos bastidores? Serem latinas e terem construído carreira em países diferentes influenciou a convivência no trabalho?

Eu encontrei na Taiga uma verdadeira irmã, pois a gente acaba compartilhando coisas muito singulares tanto da nossa vida pessoal quanto profissional, que é ter que lidar com um prêmio e um título desse tamanho, continuar cantando e lançando música, ter que assumir a apresentação de um programa… Então a gente acaba tendo muitas coisas que são relacionadas e acabamos passando pelas mesmas crises pessoais, pelos mesmos jogos de interesses e mudanças das pessoas por causa dessa ascensão rápida. Então somos muito irmãs e a gente acaba compartilhando coisas muito, muito íntimas até hoje. 

Como brasileira, o que você acredita que a nossa cena leva de mais singular para um palco internacional, seja no humor, na música, na performance ou no modo de se relacionar com o público?

Com certeza, com o modo de se relacionar com o público desse nosso jeitinho brasileiro, essa overdose de carisma, que sempre que algum brasileiro aparece na TV acontece essa magia. Também temos a nossa brasilidade, o nosso axé, e é muito legal poder falar sobre as nossas raízes, sobre os nossos ícones, com tanto orgulho. Eu amo isso: poder celebrar as nossas cantoras, os nossos pratos típicos, as nossas histórias, poder botar o Brasil no mapa de um jeito tão bonito e poético.

A latinidade não é uma experiência única: ela reúne sotaques, histórias, referências musicais, estéticas e formas de resistência muito diferentes. Como a edição mostra essa diversidade sem tentar homogeneizá-la? 

Acho que, a partir do momento em que temos várias representantes de vários lugares da América Latina, a gente acaba tendo um formato só, mas que permite onde cada uma deu seu tempero, seu molho, traga sua história e conte tudo isso através da sua arte drag

O universo "Drag Race" se tornou uma plataforma global, com adaptações em diversos territórios. Como essa expansão ajudou a profissionalizar a cena e a transformar artistas drag em nomes da música, televisão e cultura pop?

Acho que a gente deve muito isso ao formato, que é muito completo e permite mostrar várias áreas de atuação de um artista completo, como canto, teatro, dança, construção, maquiagem... Além de toda a transformação, e também ao grande holofote que é estar ali nessa plataforma, da qual permite que muitas pessoas da indústria e fora dela, tanto fora do Brasil quanto dentro do Brasil, possam acessar e te ver da melhor forma em um programa que destaca o melhor de você.

Que impacto uma produção como "Latina Royale" pode ter para artistas que estão começando, especialmente em países latinos onde ainda faltam espaços, investimento e segurança para pessoas LGBTQIAPN+?

O impacto da representatividade, sempre muito bom lembrar para mostrar que pessoas como elas também podem estar em lugares onde muitas de nós desejamos. É muito importante para a gente mostrar nossa cultura, nossas raízes, como, por exemplo, a celebração das mães latinas em uma passarela que teve. Eu achei demais, achei extremamente latino. Então, realmente, ao mostrar que ali estamos, também estamos dando continuidade a caminhos que muitas irmãs latinas, pessoas, artistas queer, abriram. É abrir um caminho para a gente passar, então, com certeza, sempre honrando quem veio. É muito importante termos um formato que celebra o nosso povo, pois celebraremos a nossa história, celebraremos a nossa cultura com muito respeito e diversão.

Em meio ao avanço de discursos conservadores em diferentes países, qual é o peso de ver uma franquia internacional celebrando corpos, identidades e narrativas latinas dissidentes em grande escala?

Sinto que deixa um sentimento maior de pertencimento no mundo onde tentam nos apagar, tentam nos diminuir, tentam nos invisibilizar, ainda mais nesses tempos em que estamos sofrendo ataques extremamente nítidos e sem pretensão nenhuma de esconder que estão negando as nossas existências, negando nossas histórias e nossos corpos. 

Depois de assistir a "Drag Race México: Latina Royale", qual é a principal ideia que vocês gostariam que o público levasse sobre a arte drag e sobre a potência da cultura latina no mundo?

Então é importante saber que, dentro de uma arte que é tão incrível, que celebra tantos corpos, que celebra tantas pessoas, tem também essa massa latina que faz drag com muita paixão, com muito drama, que bebe da água de todas as novelas de muito drama e que bebe da fonte de músicas da cultura latina, dessa pimenta que só a gente tem. Realmente não tem como não ser um sucesso e não tem como não se sentir extremamente feliz de estar acompanhando uma coisa que faz a gente conseguir se ver também. 

Taiga Brava:

"Drag Race México: Latina Royale" reúne artistas de diferentes franquias, países e trajetórias, todas ligadas à latinidade. Por que esse encontro era necessário neste momento para a cultura drag?

Acho que "Latina Royale" chega em um momento muito importante, primeiro para a comunidade drag, mas também para a comunidade latina em geral. 

Somos países diferentes, com histórias diferentes e maneiras muito distintas de compreender a arte drag. Mas também compartilhamos muitas coisas: nossas raízes, nossa cultura e muitos dos desafios que continuamos a enfrentar.

É por isso que acho que este encontro era necessário. Também acho importante reconhecer o valor histórico de reunir, pela primeira vez, artistas de diferentes países da América Latina, com perspectivas tão diversas sobre drag, no mesmo espaço.

Às vezes nos esquecemos de tudo o que compartilhamos como comunidade. E acho que "Latina Royale" vem justamente para nos lembrar disso.

Nossa latinidade não é uma competição. É uma celebração.

O que significa conduzir um reality que coloca a arte drag latina no centro do debate artístico?

Para mim, é um privilégio enorme. Quando participei do "Queen of the Universe", eu era uma artista latina levando minha cultura e meu estilo de drag para um palco internacional. E acho que, quando ocupamos esses espaços, também sentimos uma enorme responsabilidade de representar de onde viemos.

Anos depois, ter tido a oportunidade de apresentar o "Drag Race: México" e agora estar à frente do "Latina Royale" é muito especial, porque desta vez toda a plataforma é dedicada a mostrar e celebrar a arte drag latino-americana em todas as suas formas e em contextos completamente diferentes.

Me emociona pensar que pessoas ao redor do mundo podem descobrir essas artistas e ver como nossa arte drag é diversa, talentosa, criativa e poderosa. Colocar a arte latina no centro de uma plataforma como esta também abre uma vitrine muito maior para ela.

E, claro, estar diante de artistas deste calibre também implica uma enorme responsabilidade. Para mim, sempre foi importante que, mesmo dentro de uma competição e em meio às críticas, o respeito e o amor pela arte drag estivessem no centro da conversa.

Como foi receber a Grag nesta edição? O que a trajetória dela e, em especial, a força da cena drag brasileira acrescentaram à conversa e à energia do episódio?

Foi muito especial para mim receber a Grag, porque nossa história vem desde a época do "Queen of the Universe". Nos conhecemos sendo duas artistas latinas dividindo um palco internacional e, desde então, construímos uma relação muito próxima, repleta de carinho, admiração e respeito. Para mim, a Grag não é apenas uma colega: ela é minha irmã.

Por isso, tê-la comigo em "Latina Royale" também foi como uma reconexão sob uma perspectiva diferente. Ambas sabemos o que significa levar nossa identidade e nossa arte drag para palcos internacionais, e agora poder nos unir em um projeto que celebra nossas distintas latinidades foi muito especial.

Além disso, falar do Brasil é falar de uma das maiores, mais diversas e mais poderosas cenas drag do mundo. O Brasil tem uma identidade artística incrível, e Grag personifica muito dessa criatividade, talento e força.

Adoro que o público possa ver uma mexicana e uma brasileira compartilhando esse espaço com carinho, respeito e genuína admiração pelo trabalho uma da outra. Para mim, isso também representa a essência de "Latina Royale": podemos vir de lugares diferentes, ter referências diferentes e entender a arte drag de maneiras diferentes, e ainda assim encontrar um terreno comum em nosso amor por essa arte.

Como host, qual é a responsabilidade de criar um ambiente em que queens de origens, trajetórias e estilos tão distintos se sintam vistas e desafiadas?

Acho que o desafio reside precisamente nessas duas palavras: que elas se sintam vistas, mas também desafiadas.

Estamos falando de artistas com anos de experiência, identidades bem definidas e, além disso, de origens culturais completamente diferentes. Para mim, era muito importante que cada uma tivesse espaço para mostrar quem é e o que torna sua drag especial, sem esperar que todos respondessem com base nas mesmas referências.

Mas isso também é uma competição, e parte da competição é enfrentar coisas que você talvez nunca tenha feito antes, sair da sua zona de conforto e demonstrar os limites da sua arte.

Eu também já estive do outro lado e sei o quão vulnerável pode ser expor seu trabalho para avaliação de outras pessoas. É por isso que acredito que você pode ser exigente sem perder de vista o respeito pelo artista à sua frente.

No fim das contas, por trás de cada look, cada performance e cada desafio, existem anos de trabalho. Para mim, o desafio como anfitriã é reconhecer tudo isso e, ao mesmo tempo, encorajar cada artista a nos mostrar algo que talvez nem ela mesma soubesse que era capaz de fazer.

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