"Morte e mistério na Amazônia" traz 1º depoimento de Tatunca Nara; relembre

Em série documental, Tatunca apresenta própria versão dos acontecimentos; à CNN, diretora conta bastidores da entrevista com o homem

Nicoly Bastos, da CNN Brasil
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Um dos maiores enigmas que envolvem a Amazônia virou tema do novo documentário da HBO Max, "Morte e mistério na Amazônia", que estreia no streaming na quinta-feira (10). Além de resgatar o caso que envolve a cidade perdida de Akakor, a produção de três episódios traz o primeiro relato de Tatunca Nara, principal acusado, sobre os acontecimentos.

Em entrevista à CNN Brasil, Tatiana Issa, uma das diretoras da série documental, ressaltou que chegar até Tatunca Nara não foi um problema. O difícil foi conduzir uma entrevista capaz de questionar as versões apresentadas por ele sem transformar o documentário em mais um espaço para a propagação das histórias que o personagem conta há décadas.

“Tudo que ele quer é um público que ouça as histórias dele”, contou Tatiana. “O difícil foi lidar com ele. Você está fazendo uma entrevista muito complexa."

Segundo a diretora, a equipe precisou encontrar o equilíbrio entre ouvir Tatunca e, ao mesmo tempo, confrontá-lo diante das informações reunidas durante a pesquisa.

“O nosso intuito era justamente não dar mais a ele uma visibilidade, um lugar para que ele perpetuasse as coisas que ele veio contando ao longo de tantos anos, de tantas décadas. Era confrontá-lo com documentos, informações, sem deixar ele fugir”, explicou ela.

Tatiana comparou a conversa a uma espécie de duelo. Para ela, Tatunca teria desenvolvido, ao longo dos anos, mecanismos para desviar de perguntas e escapar de assuntos que poderiam colocá-lo em contradição.

“Era como se fosse uma luta quase de esgrima entre quem está entrevistando, entre eu e ele e a nossa pesquisadora também. "Tínhamos que ir cutucando sem deixar a espada cair”, relatou.

Horas de entrevista

A conversa também foi fisicamente e emocionalmente desgastante. A equipe passou muitas horas diante de Tatunca em busca de respostas para questões que permanecem sem solução há décadas.

“Foi realmente uma luta árdua ali, de muitas horas, complexa, muito cansaço. Eu não tirava o olho do olhar para que o olhar dele não desviasse”, contou Issa.

Relembre o caso

O caso ganhou notoriedade nas décadas de 1970 e 1980, a partir dos relatos sobre Akakor, uma suposta cidade perdida que, segundo a lenda, estaria escondida no coração da floresta amazônica e teria sido habitada durante milhares de anos por uma antiga civilização.

As histórias despertaram o interesse de aventureiros, pesquisadores e exploradores, principalmente da Europa e dos Estados Unidos. Motivados por relatos sobre a suposta civilização, diversos estrangeiros viajaram para a região amazônica em busca da cidade. As expedições acabaram cercadas por desaparecimentos, mortes e investigações que se estenderam por décadas.

Tatunca Nara tornou-se o principal personagem dessa história ao afirmar que era descendente dos Ugha Mongulala, um povo indígena que, segundo seus relatos, teria ligação com Akakor. Ele também dizia conhecer o caminho até a cidade perdida e passou a atuar como guia para expedições que entravam na floresta em busca do local.

Com o passar dos anos, Tatunca passou a ser associado ao desaparecimento e à morte de alguns dos exploradores que estiveram na região. As circunstâncias dos casos deram origem a diferentes investigações, suspeitas e teorias.

Apesar das décadas de buscas e investigações, a existência de Akakor nunca foi comprovada.

Confira o trailer de "Morte e Mistério na Amazônia"

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