O que é real e o que é ficção em filme de Elize Matsunaga da Netflix
"Elize: Sombras de Uma Mulher" chegou à plataforma na última quarta-feira (22); produção transformou caso criminal em narrativa de ficção sem abrir mão dos fatos documentados

Uma nova produção da Netflix retrata o crime de Elize Matsunaga, que chocou o país em 2012. "Elize: Sombras de Uma Mulher", que estreou nesta quarta-feira (22), é uma ficção que imagina o que aconteceu antes de a mulher matar o marido, Marcos Matsunaga, herdeiro e diretor executivo da Yoki.
O longa busca equilibrar fidelidade aos acontecimentos conhecidos e liberdade criativa para construir uma narrativa ficcional. É o que explicou o roteirista da produção, Raphael Montes, em entrevista à CNN Brasil. Ele explicou que o principal compromisso da produção foi reunir o máximo possível de informações documentadas para, só então, preencher as lacunas inevitáveis de uma história real.
"O primeiro passo importante é pesquisar e se municiar de tudo o que realmente a gente tem de informação real", afirma o autor.
Segundo Montes, a pesquisa incluiu os autos do processo judicial, o documentário sobre o caso e um levantamento complementar conduzido por uma pesquisadora especializada, que buscou detalhes não registrados nos documentos oficiais. Entre os materiais consultados, também houve conversas com delegados e pessoas ligadas à investigação para esclarecer pontos específicos.
O que é real e o que é ficção em "Elize: Sombras de Uma Mulher"
Em resumo, tudo relacionado ao crime é real, pautado na pesquisa da equipe. Como ele ocorreu, motivações e o julgamento de Elize.
Porém, apesar do vasto material disponível, o roteirista explica que existem aspectos impossíveis de serem reproduzidos com precisão, principalmente os momentos privados entre os personagens.
"A primeira coisa que você necessariamente tem que imaginar são os diálogos. A gente não estava dentro da casa para saber como foram essas conversas", diz.
Como um dos exemplos, ele cita detalhes conhecidos do apartamento onde Elize e Marcos Matsunaga viviam. A investigação revelou que o imóvel possuía um quarto destinado às armas, uma cobra de estimação, além de objetos relacionados ao hobby da caça, como uma cabeça de cervo exposta na parede.
"Eu sabendo que eles gostam de caçar e que tem uma cabeça de veado na parede, eu crio a cena em que eles caçam", explica. "De algum modo, você vai preenchendo vazios com coisas que fazem sentido naquele universo fático de informações que você realmente tem."
As ações atribuídas a Elize nas horas posteriores ao crime foram reconstruídas a partir do que consta nos autos do processo.
"O que ela fez pós-crime, todas aquelas horas após o crime, são baseadas exatamente nos autos, no que a gente sabe que aconteceu naquela noite e naquelas primeiras horas do dia", afirma.
Para o escritor, a adaptação funciona como uma combinação entre realidade e dramatização.
"É uma união saudável entre realmente o que aconteceu e imaginar, cuidando para que a gente não fuja, para que a gente não saia inventando coisas, e sim costurando para dentro, baseando melhor o que a gente sabe que é realidade."


