Remake de "Cabo do Medo" se reinventa com questões modernas 35 anos depois

Em “Cabo do Medo” da Apple TV, personagem busca vingança contra advogada e promotor que o prenderam por crime não cometido

Larissa Santos, da CNN Brasil
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O clássico "Cabo do Medo", que ganhou repercussão após ter uma versão dirigida por Martin Scorsese em 1992, ganha uma adaptação em série pela Apple TV+. Na releitura de 2026, a história é atualizada para dialogar com debates e tensões contemporâneos.

A trama tem como premissa o momento em que Max Cady, agora vivido por Javier Bardem, é solto após 19 anos na prisão por um crime que não cometeu: o assassinato de sua esposa grávida. Após novas provas o inocentarem e ele se ver livre, ele poderá colocar seu plano de vingança em prática. Seus alvos são o casal Ana (Amy Adams) e Tom Bowden (Patrick Wilson), que foram sua advogada de defesa e o promotor que o colocaram na cadeia.

Na versão de 2026, o psicopata começa a aterrorizar a vida do casal e seus filhos, Natalie (Lily Collias) e Zack (Joe Alfie Winslet Mendes). Após falhar na defesa de Max, Ana se torna uma advogada que defende casos de prisões injustas. "A série levanta muitas questões sobre esse tema, que é o das pessoas condenadas injustamente por crimes que não cometeram e sobre como esse trauma muda elas para sempre", avaliou Bardem em uma entrevista para para Flávia Guerra, do UOL.

No mais recente episódio, a trama apresentou conversas na prisão em espanhol e sobre a comunidade latina que está por lá. "Na hora em que entramos na prisão e ouvimos os detentos falando com suas famílias, a maior parte do que se ouve está em espanhol. Há também os casos de homens inocentados depois de terem sido condenados injustamente. Pelo menos um deles é latino. E isso diz muito sobre o que está acontecendo hoje no sistema de Justiça dos Estados Unidos e nas ruas, com a atuação do ICE. Isso está presente, não é uma opinião, é um fato e isso faz parte da série."

Outra mudança foi o maior protagonismo de Ana Bowden, em que anteriormente o foco era no embate Tom e Cady, com a personagem sendo um suporte para o enredo. "Adoro que eles pegaram o papel do advogado de defesa e trocaram de gênero simplesmente pela dinâmica de poder que teria sido criada na época, no julgamento, e, além disso, somos a rica história de Ana, suas inseguranças, dúvidas, acho que isso nos permite explorar sua paranoia", refletiu Amy Adams em uma entrevista para o Omelete.

A série é lançada semanalmente às sextas na Apple TV.

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