Wagner Moura luta contra ameaça invisível em "A Última Casa"; o que esperar
Novo suspense da Netflix mistura ficção científica com drama familiar; CNN teve acesso antecipado à produção e te conta o que esperar
O brasileiro Wagner Moura e a americana Greta Lee lideram o elenco de "A Última Casa", novo suspense que mistura ficção científica, terror psicológico e drama familiar da plataforma de streaming Netflix. Na trama, uma força invisível coloca à prova os laços entre os personagens e conduz a narrativa por uma atmosfera de mistério e paranoia. A CNN Brasil teve acesso antecipado à produção e te conta o que esperar.
É apenas um dia comum, em uma rua comum, para uma família comum. Até que tudo muda. Uma tempestade se aproxima e, inexplicavelmente, todos ficam presos dentro das próprias casas, sem conseguir abrir portas ou janelas.
O que esperar de "A Última Casa", filme da Netflix com Wagner Moura e Greta Lee
As quase duas horas de filme são preenchidas com recursos variados, que prendem o espectador logo nos primeiros minutos de filme. O suspense nasce do medo do desconhecido e da constante sensação de que algo está errado com o mundo, assim como abre espaço para sequências de ação e momentos de forte carga dramática.
Apesar da premissa mais voltada ao sobrenatural, o filme encontra força nos conflitos humanos. A ameaça invisível de início funciona como um catalisador para expor inseguranças, ressentimentos cotidianos, laços familiares fragilizados e questionamentos sobre o que fazemos com o tempo que temos. Já parou para reparar nos nomes dos seus vizinhos? Como eles vivem a vida?
O roteiro aborda temas universais, como o medo de perder quem se ama, as mudanças nas relações familiares e a dificuldade de lidar com aquilo que não pode ser controlado.
Em tempos pós-pandêmicos, também fica a reflexão sobre o isolamento. Em entrevista ao portal norte-americano GQ, Wagner Moura comentou mais sobre tal aspecto.
"A Covid foi terrível no Brasil, porque muita gente estava morrendo, mas tenho três filhos e passei momentos ótimos com minha família em casa. [...] Este é um filme sobre família, sobre famílias que permanecem unidas, que estão juntas e compreendem as vulnerabilidades umas das outras. E foi isso que realmente ressoou em mim quando li o roteiro", comentou.
Essência de obras que vão de "Amor e Monstros" (2020) e "Annie" (1982)
Com direção do francês Louis Leterrier ("Velozes e Furiosos 10"), o filme se apoia no roteiro de Matthew Robinson, que, aqui, traz um pouco da essência de outra obra de seu currículo, "Amor e Monstros" (2020).
Assim como no longa estrelado por Dylan O'Brien, que acompanha a sobrevivência de um jovem comum após um apocalipse dominado por monstros gigantes, a narrativa utiliza criaturas extraordinárias como ponto de partida para discutir a natureza humana — e como ela se revela quando acha que o perigo verdadeiro está nos "monstros invisíveis".
Os monstros invisíveis permanecem como um perigo constante, mas a trama também desloca o foco para as escolhas e os comportamentos humanos diante do medo. A própria dinâmica entre o protagonista vivido por Wagner Moura e o personagem interpretado por Dylan O'Brien no desfecho estabelece um paralelo entre os filmes, à medida que ambos buscam compreender a verdadeira natureza da ameaça.
Outra referência que atravessa a narrativa é "Annie" (1982). Durante os acontecimentos de "A Última Casa", os personagens recorrem repetidamente a uma fita do clássico musical, uma das únicas que eles têm em casa para assistir, conferindo às mesmas cenas por dias consecutivos. A escolha funciona como um contraponto ao clima de tensão. Em meio ao isolamento e à incerteza, a história clássica da órfã otimista se torna um lembrete de que ainda existe espaço para esperança.
Uma casa inteira como parte do elenco
Recurso utilizado em obras conceituadas do cinema, como "O Iluminado" (1980) e "Mãe" (2017), a casa em que os personagens estão presos é construção importante também para a trama da história, funcionando como cenário, lar, abrigo, prisão, jardim, tela artística e muito mais. Seu propósito e significado evoluem ao longo do confinamento da família Delgado, e o estado da moradia, em qualquer momento do filme, reflete o estado psicológico da família, buscando enriquecer ainda mais a narrativa.
Praticamente 90% das cenas acontecem dentro do local. Segundo a equipe da Netflix, o objetivo era construir uma casa totalmente funcional, capaz de suportar a presença diária de todo o elenco e da equipe técnica.
Outra preocupação se deu com o papel da água no filme, com a construção de enormes tanques cheios, acompanhados de uma logística que valorizava a segurança de todos. A casa do filme foi projetada para ser inundada progressivamente à medida que a história se desenrola até atingir seu ápice.
"Essa foi uma das coisas mais exigentes fisicamente que já fiz na vida", disse Moura, em comunicado. "Eu não esperava isso, porque você imagina que é um filme sobre uma família dentro de uma casa."
"Tínhamos uma piada recorrente: 'Uma casa, uma locação, elenco reduzido. Quão difícil poderia ser isso?'", comentou Lee, por sua vez. "Eu já havia feito cenas de ação e dublês antes, mas isso estava em outro nível. Nunca passei tanto tempo submerso na água."


