Integrante de gabinete de crise, médica defende cloroquina e distanciamento


Da CNN, em São Paulo
07 de abril de 2020 às 11:58 | Atualizado 07 de abril de 2020 às 14:55

Médica defensora da hidroxicloroquina no tratamento contra o coronavírus e integrante do gabinete de crise criado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a oncologista e imunologista Nise Yamaguchi defendeu à CNN, nesta terça-feira (7), o tratamento com hidroxicloroquina e disse ser favorável ao distanciamento social.

Para a médica, a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina deve ser administrada já nos primeiros dias da infecção pelo novo coronavírus. "Essa já é uma medicação antiga. No nosso caso, estamos falando de um uso por cinco dias, de uma dose bastante aceitável e juntamente com a azitromicina. A hidroxicloroquina diminui a quantidade de vírus produzido e a azitromicina diminui a forma como o vírus se liga nas células, e com isso ele não consegue usá-la para se replicar", explicou. "Então, essa associação foi muito feliz - e ainda associada a zinco - faz com que a gente possa ter uma ação muito melhor", completou.

Ela ainda esclarece como o uso de hidroxicloroquina e azitromicina retarda o avanço da doença, principalmente se usado até o quinto dia. "Depois disso, começa um processo inflamatório, que faz sair sangue e líquido para dentro do pulmão, e ele fica tão denso que a troca gasosa não acontece mais e a pessoa acaba morrendo de insuficiência respiratória. Mesmo que você trate, nem sempre consegue reverter aquilo que a chama de tempestade de citocina", diz.

Segundo a médica, o uso desse combo de medicações deve ser feito de comum acordo e até com termo de consentimento assinado com o paciente. "Minha proposta é a decisão individual do médico e do paciente, por isso respeito os paradigmas estabelecidos pela sociedade médica", defendeu.

Em relação ao distanciamento social, Nise apontou que o ideal é ter uma distância de dois metros entre as pessoas, além do uso de máscara. "Todos deveriam estar usando máscaras no Brasil", diz.

Citada por fontes como cotada para assumir o Ministério da Saúde em meio aos rumores de demissão do ministro Luiz Henrique Mandetta, Nise afirmou que viajou a Brasília como "voluntária científica" e que "a caneta nunca foi oferecida" para ela. "Minha função é juntar o máximo de evidências científicas que permitam a gente visualizar que, para chegarmos a uma superação da crise, a gente já tenha todas as estruturas necessárias", explica. Minha preocupação com a saúde pública é suprapartidária", conclui.

Questionada se aceitaria o posto caso o ministério fosse oferecido para ela, Nise afirmou: "Veja, isso nunca esteve no meu horizonte. Eu sempre fui voluntária. Já estive em várias situações. Estou a serviço. Nunca fiquei conjecturando coisas. Qualquer coisa diferente, eu teria que fazer muitos movimentos. Eu prefiro lidar com o presente e amenizar essa discussão".