Farmácias têm falta de máscaras após confirmação de coronavírus no Brasil


27 de Fevereiro de 2020 às 19:54
Caixas de máscaras em farmácia de São Paulo

Funcionária de farmácia em São Paulo manipula caixas de máscaras; alta demanda pelo produto causa escassez nas prateleiras

Crédito: Reuters (27.02.2020)

Com a confirmação do primeiro caso de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19) no Brasil na quarta-feira (26), as farmácias no país registraram um forte aumento nas vendas de luvas, máscaras de proteção e álcool em gel. Alguns estabelecimentos já registram falta destes produtos nas prateleiras.

Há ainda dificuldades na reposição, especialmente das máscaras, já que produção delas depende de insumos chineses – e o país asiático restringiu as exportações para privilegiar o mercado nacional.

A reportagem da CNN Brasil circulou por farmácias na região da Avenida Paulista e não encontrou os produtos. A funcionária de um estabelecimento afirmou à agência Reuters que a procura por esses itens, em especial pelas máscaras, aumentou pelo menos 70%. “A maioria dos fornecedores não tem mais o produto para entregar. Alguns já deram prazo de oito meses para repor o estoque”, explicou Maria Enaina.

Em nota, Sergio Mena Barreto, da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) confirmou que várias redes de farmácias estão com estoque de máscaras zerados e enfrentam dificuldades para conseguir novas remessas do produto.

Imagem da estrutura do betacoronavírus, como o novo coronavírus

Projeção da Nexu Science Communication, em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra modelo estruturalmente representativo de um betacoronavírus, tipo vinculado ao Covid-19

Crédito: Nexu Science Communication/Reuters

“Ninguém se planejou pra essa demanda, até porque 30 dias atrás a demanda já tinha aumentado e os distribuidores não tinham (mais unidades) para entrega”, afirmou Barreto. “Como o insumo delas vem da China, e o governo chinês restringiu a saída, está em falta.”

Segundo o executivo, a associação do setor identificou um aumento na procura das máscaras já nas primeiras semanas de fevereiro, mas como a indústria depende de insumos importados acabou influenciada pelo cenário de contingência adotado por Pequim.

Barreto destacou, no entanto, que a dificuldade para encontrar álcool em gel nas prateleiras é uma situação pontual porque há produção no mercado nacional.

Quando devemos usar máscaras?

Em entrevista ao Visão CNN na quarta-feira, a infectologista Nancy Bellei, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia afirmou que que pessoas sem sintomas não precisam circular com máscara. 

"Isso não tem uma efetividade, principalmente em ambientes abertos, então se recomenda a máscara ou para profissional de saúde ou para quem está com sintoma respiratório”, explicou. Nancy destacou que uma medida muito importante para evitar o contágio e a propagação do vírus é a lavagem das mãos.

Essa recomendação está em sintonia com o que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) dos Estados Unidos diz ser a melhor abordagem sobre o coronavírus. 

Infectologista Nancy Bellei fala sobre coronavírus

Crédito: Reprodução/CNN Brasil

“O CDC recomenda o uso de máscaras apenas se for orientado por um profissional de saúde. As máscaras faciais devem ser usadas por pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus e apresentam sintomas”, diz a agência americana.

O Ministério da Saúde brasileiro também criou uma lista de ações recomendadas para prevenir o contágio com o vírus, com destaque para os cuidados com higiene pessoal. 

As principais medidas indicadas pelo governo incluem: usar álcool em gel, lavar as mãos mais vezes, não compartilhar itens pessoais (como talheres e copos), manter a hidratação e evitar tocar olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam limpas.

Caso brasileiro

O governo brasileiro confirmou na quarta-feira o primeiro caso de um brasileiro infectado pelo novo coronavírus: um homem de 61 anos, morador de São Paulo, que recentemente esteve na Itália — um dos países mais atingidos pela doença depois de China continental.

Embora o estado de saúde do paciente seja considerado sem gravidade, a notícia gerou grande temor de que o novo vírus se espalhe rapidamente pelo Brasil.    

Ainda na quarta, o governo de São Paulo anunciou a criação de um centro de contingência para monitorar os casos no Estado. O impacto também foi fortemente sentido na Bolsa, que teve queda recorde de 7% do índice Ibovespa, acompanhando pânico mundial pelo aumento de casos da doença. 

Segundo o ministério da Saúde, além da contaminação confirmada, há 20 outros casos suspeitos da doença no país, assim espalhados: Paraíba (1), Pernambuco (1), Espiríto Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2) e Santa Catarina (2) e São Paulo (11).