Toques de cotovelos em vez de apertos de mãos: a etiqueta em meio ao coronavírus


Amy Woodyatt, da CNN
04 de Março de 2020 às 09:00 | Atualizado 15 de Março de 2020 às 20:45
Toque de cotovelos é cumprimento alteranativo em meio ao surto de coronavírus

Toque de cotovelos é cumprimento alteranativo em meio ao surto de coronavírus

Crédito: Liu Xiao/Xinhua/Getty Images

No início desta semana, um político alemão fez o que poderia ser interpretado como uma incrível grosseria: ele rejeitou um aperto de mão de sua chefe de Estado, a chanceler Angela Merkel. Nesse caso, porém, em vez de repreendê-lo, Merkel sorriu e elogiou o ministro do Interior Horst Seehofer por sua conduta, que está se tornando mais comum à medida que o novo coronavírus (COVID-19) continua sua disseminação global.

Enquanto as autoridades de todo o mundo lutam para conter o novo vírus, que adoeceu mais de 90.000 pessoas e se espalhou para mais de 70 países e territórios, pessoas de todas as partes do planeta enfrentam um dilema: como devo cumprimentar alguém?

Ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, se negou a apertar as mãos de Angel

Ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, se negou a apertar as mãos de Angela Merkel

Photo: Abdulhamid Hosbas/Anadolu /Getty Images

Cuidado ao decidir quem beijar

Autoridades francesas também tiveram que mudar seus hábitos e uma antiga tradição do país — “la bise”, o gesto de beijar uma pessoa na bochecha várias vezes — foi desaconselhada por temores com a saúde. 

"É recomendável reduzir o contato social e físico. Isso inclui tudo", declarou o ministro da Saúde do país, Olivier Véran, a jornalistas. Véran ainda acrescentou, na lista de recomendações, que as pessoas devem evitar apertos de mão.

Na Austrália, orientações semelhantes foram emitidas. Em meio ao pânico global, o ministro da Saúde do estado de Nova Gales do Sul, Brad Hazzard, sugeriu que a população "exerça um certo cuidado e cautela ao decidir quem beijar", incentivando que sempre seja dado um tapinha nas costas em vez de um aperto de mão.

Diante do maior surto europeu do COVID-19, autoridades italianas aconselharam abertamente que qualquer contato físico seja evitado — embora admitam que tal medida seja um grande desafio.

“Temos uma vida social coletiva muito florida, muito expansiva. Temos muito contato, apertamos as mãos, nos beijamos e nos abraçamos", apontou a repórteres o comissário especial para o coronavírus da Itália, Angelo Borrelli.

"Talvez seja melhor neste período não apertar as mãos e não ter muito contato, e tentar ser um pouco menos expansivo, o que é diferente de como eu sou", acrescentou.


Quais são as alternativas?

Com tantos alertas e restrições, a solução tem sido uma busca por saídas criativas para se cumprimentar.

Sylvie Briand, diretora de pandemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), endossou uma série de cumprimentos como alternativas ao aperto de mão, incluindo toques de cotovelos e o gesto de se curvar juntando as palmas das mãos — também conhecida como a saudação “wai” tailandesa. Na mesma linha, no Irã no Líbano há registros de amigos batendo os pés para se cumprimentar. 

Em conversa com a CNN americana, o técnico de etiqueta William Hanson considerou que uma postura "efusiva e calorosa" pode compensar a ausência de um aperto de mão em um cumprimento. 

O recomendado é usar um "gesto com a palma da mão aberta em vez de um gesto com a palma da mão fechada, especialmente se você estiver cumprimentando muitas pessoas em um evento ou conferência de rede", disse Hanson, acrescentando que fazer contato visual também deve ser uma prioridade.

"Vamos parar de apertar as mãos por um tempo. Prefiro a tradicional saudação namastê do Sudeste Asiático, embora a batida de cotovelos seja divertida", escreveu o Dr. Tom Freidan, ex-diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

Apesar de todas as recomendações, os especialistas concordam que nem sempre é possível evitar o contato físico com todos os conhecidos. 

"Em geral, tentamos ser pessoas bastante educadas e não queremos dizer que não vamos apertar as mãos de alguém porque isso significa a desconfiança de que essas mãos estejam sujas”, avaliou Lisa Ackerley, consultora da Royal Society do Reino Unido em Saúde Pública.

Ackerley pede que as pessoas tentem não entrar em pânico com a propagação do vírus — e que sigam as medidas de precaução, mas de modo educado.

"Se parecer muito rude deixar de apertar a mão de alguém, basta depois lavar as mãos ou usar um gel desinfetante - obviamente, discretamente", disse ela.

Beijos no rosto passam a ser impedidos

Beijos no rosto passam a ser evitados em meio ao pânico com o COVID-19

Photo: Hannah Peters/Getty Images

Quando lavar as mãos?

Quando se trata de uma transmissão de humano para humano, geralmente a infecção por coronavírus ocorre por  secreções de uma pessoa infectada, como gotículas na tosse. Dependendo da virulência do vírus, tosse, espirro ou aperto de mão podem causar exposição. 

O COVID-19  também pode ser transmitido com o toque em um objeto contaminado seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

"Se lavarmos as mãos com frequência, devemos reduzir a quantidade de coronavírus ou qualquer outro organismo em nossas mãos", enfatizou Lisa Ackerley, lembrando algumas situações em que é importante ter o cuidado.

“A questão também é saber quando se deve lavar a mãos. Devemos ter precaução ao chegar em um prédio público ou a uma reunião, além de quando entramos em uma casa. Nessas situações devemos se atentar à higiene, lavando as mãos para remover  eventuais contaminações em nossa jornada”, acrescentou a especialista.

"Com uma boa lavagem das mãos nessas ocasiões, estamos reduzindo as possibilidade de contaminar outras pessoas", disse Ackerley, acrescentando que outro cuidado importante é evitar toques nos rostos de desconhecidos (ou conhecidos).