Coronavírus: Itália amplia área em quarentena e isola Milão para evitar contágio


Reuters
08 de março de 2020 às 13:11
Homem usa em meio ao risco de coronavírus em estação de metrô na Itália

Homem usa máscara em meio ao risco de coronavírus em estação de metrô de Milão, na Itália (25.fev.2020)

Foto: Flavio Lo Scalzo/REUTERS

A Itália praticamente sitiou a sua rica região norte, neste domingo (8), inclusive a capital financeira Milão, em uma nova e drástica tentativa de tentar conter o surto crescente de coronavírus no país.

As restrições sem precedentes, que buscam limitar aglomerações e a movimentação de pessoas, causarão impacto em aproximadamente 16 milhões de pessoas e estarão em vigor até 3 de abril. Foram assinadas como lei durante a noite pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte.

Pelas novas medidas, as pessoas não podem entrar na Lombardia, região mais rica da Itália, ou deixá-la, assim como em 14 províncias de outras quatro regiões, incluindo as cidades de Veneza, Modena, Parma, Piacenza, Reggio Emilia e Rimini.

Conte afirmou que ninguém pode se locomover entre essas áreas, ou dentro delas, a não ser que provem motivos relacionados ao trabalho ou a problemas de saúde. Licenças foram canceladas para profissionais de saúde.

"Estamos enfrentando uma emergência nacional. Escolhemos desde o começo tomar o caminho da verdade e da transparência e agora estamos nos mexendo com lucidez e coragem, com firmeza e determinação", disse Conte a repórteres, no meio da noite. 

"Temos que limitar a disseminação do vírus e evitar que nossos hospitais fiquem sobrecarregados", disse.

A Itália foi atingida com mais força pela crise do que qualquer outro lugar da Europa até agora, com o número de casos de coronavírus pulando mais de 1.200 em um período de 24 horas --o maior crescimento diário desde que a epidemia começou no país duas semanas atrás.

A última contagem total de casos estava 5.883, com 233 mortes.

Antonio Pesenti, chefe da unidade de resposta à crise na Lombardia, afirmou ao jornal Corriere della Sera que o sistema de saúde na Lombardia estava "a um passo de entrar em colapso" porque as instalações de tratamento intensivo estão cada vez mais pressionadas pelos novos casos.

"Estamos sendo forçados a estabelecer tratamento intensivo em corredores, em salas de cirurgia e recuperação. Esvaziamos seções inteiras do hospital para dar lugar a pessoas gravemente doentes", afirmou.

Queda na bolsa

A bolsa de valores de Milão, que caiu 17% em seu índice de ações desde o começo da crise, em fevereiro, estava programada para abrir normalmente na segunda-feira, mas um operador afirmou que esperava "uma violenta liquidação" enquanto o mercado digere o bloqueio ao coração econômico da Itália.

A Organização Mundial de Saúde afirmou que apoia totalmente as ações da Itália, em linha com suas orientações de que governos devem tentar o máximo possível conter a disseminação do vírus.