OMS classifica novo coronavírus como pandemia


Da CNN Brasil, em São Paulo
11 de março de 2020 às 14:10 | Atualizado 11 de março de 2020 às 17:24

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu declarar nesta quarta-feira (11) o novo coronavírus (COVID-19) uma pandemia, termo utilizado quando o estágio de transmissão de uma doença é global.

"Estamos profundamente preocupados com os alarmantes níveis de disseminação e severidade, e de falta de ação", disse o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra (Suíça). 

Apesar do nível de preocupação demonstrado, Ghebreyesus afirmou também que esta é "a primeira pandemia que pode ser controlada".

O chefe do programa de emergências da OMS, Mike Ryan, disse que a experiência da China, Coreia do Sul e Singapura no combate ao COVID-19 mostra que a pandemia não é incontrolável.

"Há uma chance real de reduzir o número de casos com os quais nossos sistemas de saúde precisam lidar, e dar aos sistemas de saúde uma chance de salvar mais vidas", afirmou Ryan.

Segundo a OMS, 118 mil pessoas foram diagnosticadas com o vírus em 114 países e territórios, entre as quais 4.291 morreram. O número de casos fora da China se multiplicou por 13 nas últimas duas semanas.

"Descrever a situação como pandemia não muda o que a OMS está fazendo e não deve mudar o que os países precisam fazer", ressaltou Tedros, alertando para que o uso da palavra não leve a temores irracionais. 

A última pandemia registrada no mundo havia sido a disseminação da gripe derivada do vírus H1N1, que matou centenas de milhares de pessoas no mundo todo em 2009.  

Para Nathalie MacDermott, especialista do King's College London, o uso do termo pandemia enfatiza a "importância de os países cooperarem e se abrirem uns aos outros, formando uma única frente nos nossos esforços de tornar essa situação sob controle”.  

Mark Woolhouse, professor de epidemiologia de doenças infecciosas na Universidade de Edimburgo, afirma que “agora está claro que o COVID-19 estará conosco por uma duração considerável de tempo e temos que tomar ações com as quais possamos conviver por um período prolongado”. 

 
(Com Estadão Conteúdo e Reuters)