Witzel quer praias vazias para conter contágio pelo coronavírus no Rio


Da CNN Brasil, em São Paulo
17 de março de 2020 às 20:04 | Atualizado 17 de março de 2020 às 20:29
 
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), defendeu, em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a adoção de medidas que restrinjam a circulação de pessoas como forma de combater a pandemia do novo coronavírus.
 
Entre as sugestões, está uma que diz respeito diretamente ao turismo fluminense: praias vazias. "Se nada fizermos, daqui três semanas teremos 30 mil pessoas contaminadas", disse.

“Estamos fazendo aquilo que técnicos da Secretaria da Saúde, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde estão orientando. A doença se espalhou no mundo inteiro, e cada país adotou uma forma de agir mais rápida ou mais lenta. A Itália retardou, e o resultado foi uma tragédia humana”, afirmou, acrescentado que a Coreia do Sul tomou medidas mais duras para interromper o fluxo de pessoas e conseguiu reduzir o contágio da doença.

Em um decreto publicado nesta terça-feira (17), Witzel impediu pelos próximos 15 dias a chegada de ônibus com saída de São Paulo. O texto, entretanto, apenas recomenda a suspensão de viagens aéreas e desembarque de navios de cruzeiros que tenham origem “em estados e países com circulação confirmada do coronavírus ou situação de emergência decretada”.

O governador não descarta endurecer essas medidas, mas afirma que levará o assunto ao poder Judiciário. Enquanto isso, ele afirma esperar contar com a cooperação do público. “Acredito em uma diminuição sensível das pessoas nas ruas e que a praia, espero eu, esteja vazia”, disse. O governador concordou com o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, que cobrou o fechamento das fronteiras, a exemplo do que já foi adotado em outros países.

Com o Rio de Janeiro em crise fiscal, o governador disse que a principal preocupação deve ser com a saúde das pessoas. “A preocupação econômica vem depois.” Witzel reconheceu o impacto da queda no turismo e dos preços do petróleo no estado, mas sinalizou que empréstimos podem não ajudar, já que as unidades da federação não teriam condições de pagá-los. Por isso, defendeu uma reunião entre governadores e o Palácio do Planalto em busca de uma alternativa.

Apesar de contar não ter recebido qualquer convite do Planalto para uma reunião, o governador minimizou a fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que classificou como "histerismo" medidas de restrição com as adotadas pelo Rio. "Eu entendo que ele fez uma reconsideração. Acredito que o presidente Bolsonaro tenha analisado atentamente todo o cenário e foi convencido", disse.

Hotéis

Witzel também afirmou ser viável usar leitos de hotéis para abrigar pessoas infectadas pela doença. Segundo ele, o assunto está sendo tratado diretamente pela secretaria de saúde com os estabelecimentos — embora exista um projeto de lei na Assembleia Legislativa do RJ nesse sentido. “Casos mais graves vão ter que ser hospitalizados. Hotéis serviriam apenas para hospedar infectados em quarentena”, explicou.

O governador explicou que no momento o número de leitos da rede pública para atener infectados é "perto de zero" e que os que foram disponibilizados foi possível com o fim de cirurgias eletivas. "Em hipótese alguma, lugar nenhum do mundo estava preparado para receber 300 pacientes com respriador", afirmou o governador. Segundo ele, o estado terá 300 leitos em um mês e 600 dentro de 60 dias — número que pode chegar a 1.200 se somados aos da rede privada.