Questionado sobre Bolsonaro, diretor da OMS diz que COVID-19 é ‘muito séria'


25 de março de 2020 às 14:42
Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS

Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, durante entrevista coletiva em Genebra sobre o novo coronavírus

Foto: Denis Balibouse - 24.fev.2020/ Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades internacionais subordinadas à Organização das Nações Unidas (ONU), como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançaram nesta quarta-feira (25) um Plano de Resposta Humanitária Global contra os efeitos do novo coronavírus. Na teleconferência sobre o assunto, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, foi questionado por um jornalista brasileiro sobre as declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disse a COVID-19 seria similar a uma "gripezinha".

Adhanom não quis se estender no assunto, mas comentou que em vários países há muita necessidade, neste momento, de atendimentos de urgência por causa da doença. "Em muitos países, o novo coronavírus é uma doença muito séria", afirmou ele.

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Na teleconferência, que contou também com participação do secretário-geral da ONU, António Guterres, as autoridades detalharam medidas para ajudar no combate à COVID-19 nos países mais pobres e vulneráveis, pedindo apoio, inclusive financeiro, a essas iniciativas. 

"A história nos julgará sobre como responderemos às comunidades mais pobres em sua hora mais difícil", afirmou Adhanom.

O diretor-geral da OMS ressaltou a seriedade do quadro atual sobre a doença. "Como vocês sabem, a pandemia tem se acelerado nas duas últimas semanas e, embora o novo coronavírus seja uma ameaça para todas as pessoas, o que é mais preocupante é o risco que o vírus representa para as já afetadas pela crise", disse.

Adhanom também insistiu na importância de haver condições adequadas para profissionais de saúde trabalharem, dizendo que eles "são heróis, mas também são humanos" e correm riscos.