Mais três laboratórios procuram Anvisa para pesquisa com cloroquina


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
27 de março de 2020 às 13:06 | Atualizado 27 de março de 2020 às 19:25

Três laboratórios farmacêuticos procuraram a Anvisa na manhã desta sexta-feira (27) interessados em desenvolver pesquisas com a hidroxicloroquina para a prevenção e tratamento do novo coronavírus. A ideia é seguir o que o hospital Albert Einstein já está fazendo e elaborar um protocolo de utilização do medicamento para o Covid-19 no Brasil.

"A expectativa é que viabilizemos a pesquisa para esses outros. E esperamos que nos próximos dias o Einstein forneça o resultado e fale sobre qual o protocolo a ser utilizado. A dosagem, a eventual associação com outro produto. Einstein vai dizer o protocolo de atendimento e talvez até da prevenção", disse à CNN o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Ele, porém, não mencionou quais foram as empresas que fizeram o contato com a Anvisa por razões mercadológicas. 

Se o Einstein comprovar que o medicamento servirá para o tratamento das complicações do novo coronavírus, a ideia é que o medicamento seja utilizado em um primeiro momento principalmente na rede do Sistema Único de Saúde. O resultado deve sair na próxima semana.   

Torres avalia que, como se trata de um medicamento que o Brasil já produz em razão de ele ser utilizado no tratamento da malária (e também lúpus e doenças reumáticas) e de o país ter uma indústria farmacêutica considerável, a possibilidade de uma produção em massa da hidroxicloroquina é viável. Além disso, o estoque já existente também poderia ser considerado. "O Brasil é um caso raro, porque já temos o produto em razão principalmente da malária", afirma.

O desenvolvimento do medicamento é uma das principais estratégias do presidente Jair Bolsonaro para o combate ao novo coronavírus, a despeito da incerteza em grande parte do mundo científico sobre seus efeitos. O principal problema é que ele causa efeitos colaterais, daí o motivo de o Einstein estar fazendo uma avaliação sobre sua viabilidade, dosagem e eventual associação com outros produtos. 

Nos Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump também começou a desenvolver pesquisas sobre ele, o que deflagrou uma corrida mundial da população pelo produto. Em razão disso, na semana passada a Anvisa impediu a exportação e determinou que a compra em farmácia só poderia ser feita com receita médica. "Nosso medo era que chegasse um comprador estrangeiro e levasse tudo", afirmou. Segundo ele, entre seis e oito empresas brasileiras fabricam o medicamento, considerado uma "droga negligenciada" pela indústria em razão de sua relação custo-benefício para o produtor. 

A primeira utilização do medicamento no mundo foi em 1934 pela alemã Bayer, mas apenas com a cloroquina para tratamento anti-malárico. A toxicidade era alta, o que fez com que em 1946 surgisse a hidroxicloroquina, com menos efeitos colaterais. Ainda assim, só a partir de 1955 ela teve autorização para ser utilizada. Não há clareza de onde partiram os primeiros estudos para sua utilização contra o novo coronavírus, mas a suspeita é que seja na própria China, de onde ela partiu para o mundo.