RJ e SP puxam 'boom' de internações por insuficiência respiratória

Estados têm mais casos do novo coronavírus. Para pesquisador da Fiocruz, explosão de casos pode ser indício de mais episódios de COVID-19

Leandro Resende Da CNN, no Rio
27 de março de 2020 às 22:54
Pessoas utilizam máscaras de proteção contra o coronavírus em hospital
Foto: Adriano Machado -10.mar.2020/ Reuters

O sinal de alerta do monitor Infogripe, mantido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), disparou nesta semana em virtude do altíssimo número de pessoas internadas por insuficiência respiratória grave. A semana do dia 15 a 21 de março registrou aproximadamente nove vezes mais casos da doença do que o esperado pra esta época do ano, quando geralmente se registram entre 250 e 300 casos.

Em sete dias, foram registradas 2.251 internações, a maioria justamente em São Paulo e Rio de Janeiro, estados que concentram o maior número de pessoas infectadas com coronavírus no país. 

Segundo números divulgados nesta sexta (27) pelo Ministério da Saúde, São Paulo tem 1.223 casos confirmados, e o Rio registra 493. No Brasil, são 3.417.

De acordo com os dados do Infogripe, 11 estados apresentaram incidências muito altas de casos da doença — São Paulo tem 54,1% destes. O Rio aparece na sequência, com 8,4% das ocorrências. 

Em entrevista à CNN, o pesquisador Marcelo Gomes, responsável pela plataforma, afirmou que é possível que este "boom" de casos de insuficiência respiratória grave esteja relacionado ao COVID-19.

"Esse é um dos pontos centrais, porque esse pico de casos é típico do inverno, não seria agora. É necessário esperar a análise do resultado do laboratório, mas a velocidade do crescimento de casos do tipo foi assustadora nas últimas duas semansa", afirmou Gomes, que faz parte do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Os sintomas de quem apresenta insuficiência respiratória grave são parecidos com os casos de coronavírus: febre, tosse e dificuldade de respirar.

Dos casos registrados na semana passada, 503 atingiram idosos. Na mesma época no ano passado, as crianças com menos de 2 anos estavam no grupo que mais sofria com a doença.  

Nessa mesma semana no ano passado, o Brasil tinha 934 casos registrados. Em 2018, nessa mesma semana, o número de casos era ainda menor, 581, também envolvendo principalmente crianças.