'Assintomáticos podem transmitir; distanciamento é importante', diz médico

Infectologista comentou estudo da revista 'Science', que apontou que pessoas sem sintomas podem estar ajudando na transmissão do coronavírus 

Da CNN, em São Paulo
31 de março de 2020 às 12:48

O infectologista Leonardo Weissmann, médico do Instituto Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), avaliou, em entrevista à CNN, nesta terça-feira (31), uma pesquisa publicada na revista 'Science'. O estudo diz que o casos assintomáticos são responsáveis por 2/3 das infecções pela COVID-19, mas o especialista diz que é preciso cautela com essa conclusão.

"Não temos como afirmar com exatidão qual é a verdadeira proporção de pessoas que estejam infectadas pelo vírus e realmente sejam assintomáticas", disse. "Primeiro, porque não temos como fazer o teste em todas essas pessoas. Segundo, o teste ideal para detectar a infecção pelo coronavírus é o de biologia molecular, que tem uma baixa sensibilidade, ou seja: uma propensão maior a ter falso-negativo. Então ainda são necessários mais estudos", acrescentou.

No entanto, o infectologista destaca que é necessário que tanto as pessoas com sintomas leves quanto as que estão assintomáticas façam o isolamento indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesse momento de avanço da COVID-19.

"Mesmo os assintomáticos podem transmitir. Embora o potencial de transmissão, acredita-se, seja menor, elas podem estar passando o vírus. Então, por isso, que é importante esse distanciamento social nesse momento", justifica. "Até o presente momento não temos nenhum medicamento específico que seja contra o coronavírus, então se não tem sintomas não tem porque se preocupar. Leva a vida normal, mas fica em casa".