USP pede que recuperados de COVID-19 doem sangue para novo tratamento

Intenção é utilizar anticorpos de pessoas que superaram a doença para ajudar a combater pacientes em casos mais graves

Da CNN, em São Paulo*
13 de abril de 2020 às 21:13
Pessoa é atendida após doar sangue
Foto: Reprodução/Pixabay

A Universidade de São Paulo (USP) está buscando pessoas que já tiveram a COVID-19 e se recuperaram para o desenvolvimento de um novo tratamento que pode beneficiar pacientes com casos graves da doença. A iniciativa é do hemocentro da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (SP), no interior do estado.

O objetivo da entidade é utilizar o plasma do sangue doado (a parte líquida do sangue) para ser aplicado em pacientes que apresentem quadro grave da doença. As pessoas que se contaminaram e se curaram da infecção, desenvolveram anticorpos no seu plasma que podem ser úteis para ajudar na recuperação de pessoas com formas mais graves da COVID-19.

De acordo com o hemocentro, os médicos esperam que os pacientes que receberem o plasma proveniente de convalescentes da doença tenham uma recuperação mais rápida, menor tempo de internação e menor risco de morrerem. 

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Os técnicos do Ministério da Saúde, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (13), o desenvolvimento desta técnica, que é chamada de transferência passiva de imunidade e está sendo testada em vários países. O hemocentro de Ribeirão Preto obteve na última semana aprovação para desenvolver a técnica pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Mais de 40 pacientes já estão recebendo plasma sanguíneo com os anticorpos que combatem a COVID-19. 

O experimento segue outras iniciativas de pesquisa semelhantes às que estão sendo realizadas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, e nos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês. 

Em nota divulgada na última sexta-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) destacou que pesquisadores dedicados a essa técnica já têm obtido "resultados promissores". A autarquia pondera, entretanto, que as conclusões não podem ser encaradas como uma "comprovação definitiva sobre a eficácia potencial do tratamento", devido à inobservância de critérios científicos rigorosos, como abrangência da amostragem.

Como doar

Para doar, é preciso ter tido a confirmação da COVID-19, já estar recuperado e sem sintomas há pelo menos 14 dias. A pessoa também deve ter mais de 50 anos e ser homem ou mulher que nunca engravidou.

Segundo o hemocentro, a doação é segura, pode ser feita por meio de uma máquina que utiliza somente materiais descartáveis, e demora cerca de 40 minutos. 

Para ser doador, a pessoa deve ter mais de 50 quilos, ser homem ou mulher que nunca engravidou. Uma avaliação no Hemocentro de Ribeirão Preto será feita antes da doação. Informações podem ser obtidas no telefone 0800 979 6049, pelo aplicativo WhatsApp no número (16) 99399-1259 ou no e-mail  doador@hemocentro.fmrp.usp.br.

*Com Agência Brasil