Instituto Butantan estuda sangue de infectados para produzir células de defesa


Da CNN em São Paulo*
16 de abril de 2020 às 08:46

Pesquisadores do Instituto Butantan trabalham na identificação de anticorpos que poderão ser utilizados em composto para combater o novo coronavírus. Os chamados anticorpos monoclonais neutralizantes serão produzidos por células de defesa que estão no sangue de pessoas que se curaram da doença.

O trabalho segue o princípio da transferência passiva de imunidade, que é o mesmo da transfusão de plasma sanguíneo de pessoas curadas de COVID-19, que contém anticorpos contra a doença, para tratar pacientes infectados. A utilização do plasma é uma opção de tratamento imediata, que já está sendo testada em pacientes no Brasil e depende de constantes doações para manter os estoques.  

Em entrevista à CNN, a coordenadora da pesquisa, Ana Maria Moro, explicou como funciona o estudo. "Temos que identificar os linfócitos B [células de defesa] que produzem anticorpos contra o coronavírus, por isso temos que 'pescar' e separar estes linfócitos para seguir nos estudos",explica. 

"No trabalho de engenharia genética, nós utilizamos os genes identificados para transfectar uma célula que nós usamos de rotina no laboratório [ célula hospedeira] capaz de receber esses genes e produzir, então, anticorpos, em grande quantidade", conclui Ana Maria Moro. 

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), este estudo utiliza uma plataforma já existente criada para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais humanos para diferentes doenças. A plataforma está em fase avançada para obtenção de anticorpos monoclonais para o tratamento de zika e tétano. (Com Agência Brasil)