Brasil receberá milhões de testes contra coronavírus na próxima semana, diz OMS


Da CNN, em São Paulo
17 de abril de 2020 às 15:38
Diretor da OMS pediu que governo tomem decisões com base em evidências

Mike Ryan, principal especialista em emergências da OMS, disse que organização trabalha com o Brasil contra o coronavírus desde janeiro

Foto: Denis Balibouse - 03.mai.2019/ Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (17) que ajudou o Brasil a comprar milhões de testes para o novo coronavírus e que o primeiro lote deve ser entregue já na próxima semana.

Em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça, Mike Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, afirmou que a organização está apoiando o país desde janeiro na preparação para enfrentar a COVID-19 por meio de seu braço regional, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

“A Opas está ajudando o Brasil e a se preparar e está ajudando o Brasil a comprar milhões de testes PCR [que diagnosticam a infecção viral a partir dos primeiros dos sintomas e são efetivos em pessoas assintomáticas] para expandir a capacidade de diagnóstico do país”, disse Ryan. “O primeiro lote [dos testes] deve chegar na próxima semana.”

O representante da organização também afirmou que a OMS está ciente da mudança no Ministério da Saúde brasileiro e agradeceu o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta “pelos serviços prestados à população”.

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“É fundamental que, não só o governo do Brasil, mas de todos os países, tomem decisões com base em evidências”, afirmou Ryan, sem entrar no mérito da mudança anunciada na véspera pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Queremos focar em fornecer apoio técnico, operacional e científico ao Brasil por meio do nosso escritório para a região.”

Anticorpos contra COVID-19

A OMS ainda não tem certeza se a presença de anticorpos no sangue oferece proteção total contra a reinfecção pelo novo coronavírus, disse Ryan em outro momento da entrevista.

O principal especialista em emergências da organização também afirmou que, mesmo que os anticorpos sejam eficazes, há pouca evidência de que um número grande de pessoas já os tenha desenvolvido para oferecer a chamada "imunidade de grupo" à população em geral.

"Informações preliminares que chegam até nós neste momento sugerem que uma porcentagem bastante baixa da população já está soroconvertida (para produzir anticorpos)", disse ele.

"As evidências gerais apontam contra a  expectativa de que a maioria da sociedade possa ter desenvolvido anticorpos, portanto essa hipótese não resolverá o problema dos governos", completou.