COVID-19 permanece mais tempo em pacientes não saudáveis, diz estudo chinês

Pesquisadores testaram 96 pacientes tratados em hospital para COVID-19 entre janeiro e março.

Por Maggie Fox, CNN
21 de abril de 2020 às 18:39
Reprodução da aparência do novo coronavírus, causador da COVID-19, em apresentação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos
Foto: CDC

O novo coronavírus permanece por até três semanas em pacientes com doenças graves, segundo informaram pesquisadores chineses nesta terça-feira (21). O vírus pode ser encontrado profundamente nos pulmões e nas fezes dos pacientes, e quanto mais doentes eles ficam, mais tempo o vírus permanece, informou a equipe de um hospital na província chinesa de Zhejiang. 

Porém, o vírus foi encontrado na urina de pacientes em menos da metade dos casos e raramente surgiu no sangue, a princípio. A pesquisa fornece outras evidências sobre o padrão da doença.

Ao contrário de muitos estudos recentemente lançados sobre o coronavírus, este passou por uma revisão por pares, o que significa que outros especialistas revisaram as descobertas. A equipe testou 96 pacientes tratados em seu hospital para COVID-19 entre janeiro e março. 

Os pesquisadores testaram amostras do nariz e da garganta, do sistema respiratório, do sangue, fezes e urina. Eles queriam ver quanto tempo as pessoas tinham vírus em seus sistemas e se era provável que se espalhasse de maneiras diversas. As descobertas vão de acordo com outros estudos, que mostram que o vírus pode se espalhar nas fezes de pessoas infectadas. Em geral, quanto mais doentes estavam, mais tempo o vírus podia ser detectado.

Esta descoberta pode ser importante para os médicos saberem e possam prever quais pacientes se sairão melhor e, talvez, quanto tempo eles permanecerão com potencial para infectar outros pessoas. "A duração média do vírus nas amostras respiratórias foi de 18 dias", escreveram os cientistas. 

Um estudo chinês realizado anteriormente mostrou que pessoas sem sintomas tinham tanto vírus no nariz quanto pessoas com sintomas de coronavírus --algo que indicava que as pessoas que não estavam doentes poderiam ter a mesma probabilidade de espalhar vírus que as que estão. A equipe de Zhejiang descobriu que as pessoas mais doentes tinham mais vírus, mais profundos, em suas vias respiratórias. 

Eles também encontraram diferenças entre homens e mulheres com a COVID-19. "Neste estudo, descobrimos que a duração do vírus era significativamente maior nos homens do que nas mulheres", afirmaram. “Nossos resultados mostram as causas da gravidade da doença nos homens em termos da duração do vírus. Além das diferenças no estado imunológico entre homens e mulheres, também foi relatado que está relacionado às diferenças nos níveis hormonais”, escreveu a equipe.