Ministério da Saúde registra mais de 100 casos de coronavírus entre indígenas

Boletim também registrou 63 indígenas recuperados da doença, 30 casos suspeitos e 200 descartados

Giovanna Bronze, da CNN em São Paulo
29 de abril de 2020 às 23:21
Diagnósticos de coronavírus avançam entre indígenas
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Saúde registrou 101 casos de COVID-19 entre indígenas no Brasil. O primeiro caso confirmado da doença em uma comunidade indígena foi divulgado em 1º de abril, pelo boletim epidemiológico da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Em menos de um mês, esse número aumentou 1.000%, informou a pasta nesta quarta-feira (29).

De acordo com a Sesai, também foram contabilizadas quatro mortes de indígenas, sendo duas em Alto Rio Solimões, uma em Parintins e um Yanomami em Roraima. Nenhuma nova morte é registrada desde 22 de abril.

O boletim também registrou 63 indígenas recuperados da doença, 30 casos suspeitos e 200 descartados. Todas as informações dos boletins são repassadas pelos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas do país.

Mortes de indígenas por COVID-19

O Ministério da Saúde divulgou em nota à imprensa de 27 de abril que a indígena da etnia Palikur, da aldeia Kumenê, que morreu em 3 de abril testou positivo para coronavírus. Sendo assim, o Ministério esclarece que esta seria a primeira morte indígena por COVID-19, e não mais a anteriormente divulgada em 10 de abril.

Segundo o Ministério da Saúde, a indígena foi levada para Macapá em 13 de março para tratamento no Hospital de Emergência da cidade, por estar com suspeita de câncer. A paciente então apresentou complicações renais e foi transferida para Unidade de Terapia Intensiva. Ela morreu em 3 de abril por Síndrome de Angústia Respiratória Grave e pneumonia, em decorrência da COVID-19.

O caso não foi notificado pela Secretária Estadual de Saúde do Amapá, de acordo com o ministério, que também disse que o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e do Norte do Pará pediu à pasta para a realização do exame de detecção da doença. O resultado positivo para COVID-19 só foi divulgado 21 dias após sua morte.

No entanto, há registro de que a primeira morte indígena por COVID-19 ocorreu ainda antes. A Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) confirmou para a CNN que a primeira morte registrada no estado, em 19 de março, foi de uma mulher da etnia Borari, de 87 anos, em Santarém. De acordo com a Sespa, o caso foi notificado após a morte da mulher, no dia 25 de abril, quando o inquérito epidemiológico concluiu a causa da morte por coronavírus.

A Sesai não contabilizou essa morte pois a mulher não foi atendida por nenhum Distrito Sanitário Especial Indígena, ou seja, entrou para a contagem geral do estado. O mesmo ocorreu com a morte de um homem indígena de 55 anos, da etnia Mura, que morreu em 5 de abril em Manaus. Como o homem não era registrado no sistema da DSEI da região, ele não foi contabilizado, mesmo que sua morte tenha sido divulgada em nota assinada pelo coordenador do DSEI, Mario Ruy Lacerda de Freitas Junior.