Debate 360: Médicos divergem sobre eficácia da cloroquina para tratar Covid-19

Infectologista e virologista participaram do Debate 360 nesta sexta-feira (15) e falaram sobre o combate ao novo coronavírus

Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 18:33 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 18:34

O médico infectologista Marcos Boulos e o virologista Paolo Zanotto demonstraram opiniões opostas sobre a eficácia do uso da cloroquina no tratamento do novo coronavírus, os profissionais da área da saúde participaram nesta sexta-feira (15) do Debate 360, na CNN, e utilizaram contextos de estudos científicos internacionais para defender ou rechaçar a utilização deste medicamento.

“Acho que neste momento, doenças com vírus, como esta (Covid-19), elas têm que ser tratadas como sintomáticas, a cloroquina não é nem antiviral e nem antibacteriana, é imunomoduladora. Ele não deve ser utilizado de rotina em doenças com vírus, neste momento, enquanto não há trabalhos que mostrem um duplo controle, que mostre a eficácia garantida deste equipamento”, afirmou Boulos. 

Em contrapartida, o virologista Paolo Zanotto aposta na eficácia da cloroquina e, desta a utilização em outros países.

“A coloroquina é muito bem estudada desde 2003, qual o impacto na questão dos coronavírus, inclusive de influenza. Ele (Marcos Boulos) está desinformado, há mais de 35 trabalhos que comprovam. As pessoas em Manaus usaram doses letais de cloroquina, por que não usaram com respeito, a dose é 5 gramas, administraram de 7 a 12 gramas, por isso as pessoas morreram, isso é importante falar para o público”.

“Vários países no mundo já estão utilizando este protocolo, Senegal, Emirados Árabes Unidos, Índia, França, Espanha, Itália, Costa Rica, Rússia, então basicamente isso já é uma realidade usada em vários países do mundo, em vários hospitais do Brasil e por vários médicos”, acrescentou Zanotto.

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O infectologista Marcos Boulos defende que ainda é muito cedo para se obter um estudo comprovado sobre uma doença recente.

“Claramente qualquer doença, principalmente uma nova como essa, que não tem nem quatro meses, os tratamentos são com uma cautela enorme, você nunca consegue isso com rapidez. São trabalhos que levam anos para serem realizados, é muito improvável que numa epidemia recente você já tenha medicamentos comprovados sobre a doença”, destaca.

A utilização do medicamento em laboratórios e, não em pacientes, é uma das razões que o infectologista destaca para a cautela no tratamento. 

“Os tratamentos de doenças novas são estudos que demoram anos para serem realizados, as principais revistas médicas tem mostrado, os estudos que ele (Paolo Zanotto) mostra são estudos iniciais, quem tem usado mais, são pessoas em laboratório que não tem contato com paciente, ou pessoas como o presidente, que não entende de saúde”, disse Boulos.