OMS recomenda que máscara caseira tenha três camadas de diferentes materiais


Da CNN, em São Paulo*
05 de junho de 2020 às 16:59
Leandra Macedo, dona de casa e universitária que participa do projeto Máscaras S

Leandra Macedo participa do projeto Máscaras Solidárias; OMS estabeleceu diretrizes para máscaras caseiras oferecerem proteção eficiente (08.mai.2020)

Foto: CNN Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira (5) diretrizes atualizadas para o uso de máscaras não médicas, que podem ser feitas em casa, segundo critérios de proteção estabelecidos por estudos da própria entidade.

"Baseando-se em nova pesquisa, a OMS recomenda que as máscaras fabricadas (em casa) devem consistir de ao menos três camadas, de diferentes materiais", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva.

Ainda segundo as diretrizes divulgadas nesta sexta, as máscaras devem ter uma camada externa, com material resistente a água (impedindo a entrada ou saída de gotículas de saliva); uma camada mais interna, que absorva a água; e uma intermediária, para agir como um filtro. No site da entidade, há um vídeo com mais detalhes sobre o assunto.

A OMS diz que as máscaras devem ser usadas em locais com muita transmissão da Covid-19 e em situações que dificultem o distanciamento social, como o transporte público, sobretudo por pessoas com mais de 60 anos ou doenças pré-existentes.

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As máscaras devem necessariamente cobrir o nariz, a boca e o queixo. É preciso colocá-la com as mãos limpas e evitar tocá-las durante o uso. Caso toque nelas, o usuário deve limpar novamente as mãos, recomenda a entidade de saúde.

Após o uso, o recomendado é retirar a máscara a partir das faixas laterais nas orelhas, sem tocar o centro dela, e lavar novamente as mãos depois desse procedimento.

Além de atualizar diretrizes, a OMS recomenda agora que profissionais de saúde em áreas com casos de novo coronavírus usem sempre máscaras durante o trabalho, mesmo que não lidem diretamente com pacientes da Covid-19.

De qualquer modo, o comando da OMS ressaltou na coletiva que o uso de máscaras não substitui outras medidas para conter a doença, como o distanciamento social e a higiene das mãos. "As máscaras em si não protegerão você da Covid-19", disse Ghebreyesus, lembrando que elas funcionam mais para evitar disseminar a doença do que para não pegá-la.

Caso uma pessoa doente e isolada tenha que deixar o confinamento é crucial que ela use uma máscara médica. Além disso, pessoas que cuidam de um doente em casa devem usar apenas máscaras médicas se estiverem no mesmo ambiente, afirmou o diretor-geral.

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Ainda na coletiva desta sexta-feira, a OMS alertou contra o afrouxamento das medidas de distanciamento social determinadas para conter o avanço do novo coronavírus sem que haja uma comprovada redução no número de novos casos da doença, em resposta a perguntas sobre as recentes reaberturas de negócios e atividades no Brasil.

"Como já dissemos anteriormente, existem seis grandes critérios que estabelecemos para afrouxar as quarentenas, e um deles é idealmente ter a transmissão em queda", disse a porta-voz da OMS Margaret Harris quando questionada se a decisão de reabrir negócios no Brasil acontece no momento certo, uma vez que o país tem registrado recordes seguidos no número de novas vítimas fatais da Covid-19.

A porta-voz acrescentou que, além da redução do ritmo de contágio, também deveriam ser levados em conta critérios como capacidade de testagem e de identificação de contatos com pessoas contaminadas, assim como a estrutura dos sistemas de saúde para tratamento de doentes.

No balanço de quinta-feira (4), o Brasil registrou mais 1.473 mortes por coronavírus em 24 horas, elevando o total de vítimas fatais para mais de 34 mil e levando o país a ultrapassar a Itália como terceira nação no mundo com maior número de óbitos em decorrência da Covid-19.

O país já é também o segundo do mundo em número de casos, com quase 615 mil infeccções confirmadas pelo Ministério da Saúde, atrás apenas dos Estados Unidos.

A situação é ainda mais alarmante pela liderança brasileira como a maior taxa de aceleração da doença no mundo, uma vez que o país vem registrando nos últimos dias mais casos e mortes do que os Estados Unidos.

Apesar disso, diversos governos municipais e estaduais têm anunciado planos para afrouxar as medidas de distanciamento social no Brasil diante da pressão econômica provocada pela paralisação das atividades, o que levou especialistas alertarem para o risco de um agravamento da situação. 

A porta-voz da OMS reiterou que a situação da Covid-19 na América Latina é "profundamente preocupante".

*(com Estadão Conteúdo e Reuters)