Saúde vai autorizar cloroquina para gestantes e crianças com Covid-19


Anna Satie, Gabriel Passeri e Lara Mota, da CNN
15 de junho de 2020 às 20:53 | Atualizado 16 de junho de 2020 às 06:43

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (15) em entrevista coletiva que deve reeditar o protocolo de uso da cloroquina para contemplar o tratamento precoce da Covid-19 em gestantes e crianças.

Ainda não há nenhum estudo que comprove a eficácia do medicamento contra a Covid-19.

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Segundo a pasta, a prescrição do remédio dependerá do médico e da concordância do paciente. A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, disse que estudos sólidos levam tempo. "Não podemos perder tempo em um contexto de pandemia".

"Não tínhamos no mundo inteiro orientações seguras para o manejo dessas drogas", disse ela. "O que muda é que o Ministério da Saúde está possibilitando aos médicos a oferta de uma dose segura, sem riscos nem para as crianças nem para as gestantes".

Um dos possíveis efeitos colaterais da droga é arritmia cardíaca.

O diretor do Departamento de Gestão e Educação na Saúde, Helio Angotti Neto, criticou a metodologia de trabalhos que “atacam” a cloroquina. Segundo ele, esses trabalhos são feitos com pacientes muito debilitados e com muitos dias de evolução da doença, usando como exemplo as publicações da FDA (Food and Drug Administration, agência regulatória dos Estados Unidos).

Dados da pandemia

Élcio Franco, o secretário-executivo do Ministério, comentou sobre a divulgação dos dados da evolução da pandemia.

"Nós não podemos divulgar enquanto não tivermos certeza que o dado é correto. O somatório é o mesmo, mas as curvas vão aparecer de forma diferente", disse.

Em 5 de junho, o Ministério retirou as informações com o histórico da doença no país e mostrou apenas as atualizações de casos e mortes ocorridos no mesmo dia.

Após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou a publicação dos dados completos, o site voltou a mostrar os dados totais.

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Leitos intermediários

Durante o evento, o secretário de Atenção Especializada, Luiz Otávio Franco Duarte, afirmou que a habilitação de leitos de suporte ventilatório pulmonar será autorizada por 30 dias, em caráter excepcional, para atendimento exclusivo da Covid-19.

Segundo Duarte, esses são leitos intermediários, para pacientes que não evoluíram para estado grave, mas necessitam de suporte de oxigênio. Uma portaria deve ser publicada ainda nesta segunda ou até terça-feira (16), disse.

"O objetivo desses leitos é atender o mais breve possível os pacientes que começam a apresentar algum sinal de incapacidade respiratória. Esses leitos vão atender o paciente para que ele não precise chegar a ter necessidade de UTI", disse Mariana Borges Dias, coordenadora geral da Assistência Domiciliar. "Esses leitos não vêm para substituir os de UTI, eles vêm para priorizar o suporte ventilatório até que se consiga o leito de UTI, para dar mais uma resposta", completou.