Correspondente Médico: As pessoas estão perdendo o medo da Covid-19?

'Elas olham quem está ao seu redor e, se sinalizam que está tudo bem, baixam a guardam e voltam para o padrão de agir antes', diz Fernando Gomes

Da CNN
24 de junho de 2020 às 08:53 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 09:30

Na edição desta quarta-feira (24) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes avaliou se a população está "perdendo" o medo da Covid-19. Ele também explicou como a doença afeta os hipocondríacos e esclareceu a importância do luto.

Para o especialista, essa aparente perda do medo de ser infectado pelo novo coronavírus tem relação com, por exemplo, o fato de que ver outras pessoas agindo normalmente – mesmo em meio ao aumento de casos da doença – pode gerar uma "falsa sensação de segurança".

"Elas olham quem está ao seu redor e, se sinalizam que está tudo bem, baixam a guardam e voltam para o padrão de agir antes do novo coronavírus", afirmou o médico.

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Já os hipocondríacos estão no extremo oposto dessa postura. "Eles têm medo de um desfecho grave e vivem em ansiedade. Os dois extremos não são bons. Para o hipocondríaco, o pensamento negativo pode baixar a imunidade, já o outro se arrisca de forma inconsequente", descreveu.

No caso daqueles que se expõem à doença – que já matou 52.645 pessoas no Brasil –, o médico explica que o cérebro "consegue projetar algo de fora do seu meio e conseguir uma desculpa para a pessoa continuar vivendo da forma como gostaria".

"Muitas pessoas adotam como desculpa esses dados preliminares que mostram para a gente que pessoas com mais de 60 anos e outras doenças crônicas têm uma chance maior de ter complicações mais graves", exemplificou. "Infelizmente existe essa tendência. Alguns exageram e têm uma tendência a sentir muito medo, enquanto outros se sentem corajosos demais", disse.

Luto

Outro tema abordando na edição desta quarta foi a importância do luto para as pessoas e como o novo modo de despedida – sem velório e com sepultamento restrito – afeta esse momento de perda.

"O humano se organiza em processos de despedida e fechamento de ciclos. A própria questão do velório e do sepultamento faz parte dessa realidade. O grande desafio que o novo coronavírus trouxe foi justamente esse, que faz as pessoas se despedirem de uma maneira quase virtual. Tudo mudou", analisou.

Segundo o médico, não passar por esse momento da forma tradicional e cultural pode agravar o luto e provocar síndrome de estresse pós-traumático.

(Edição: Sinara Peixoto)