Relatório do Cremesp aponta irregularidades no hospital de campanha do Anhembi

Secretaria Municipal da Saúde diz que não foi comunicada previamente sobre relatório. SPDM, associação médica de SP, declara que denúncias não procedem

André Rosa, da CNN, em São Paulo
25 de junho de 2020 às 00:52
Hospital de campanha do Anhembi começou a funcionar no início de abril
Foto: Reprodução/ Edson Lopes Jr/SECOM

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) divulgou, nesta quarta-feira (24), relatório sobre fiscalização que aponta irregularidades no Hospital de Campanha do Anhembi, que é administrado pela Associação Paulista para Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

Entre as irregularidades apontadas pelo Conselho Regional de Medicina de SP estão leitos improvisados, com risco de queda de pacientes em área de internados com menos gravidade, além do alto risco de contaminação, como climatização única para todas as enfermarias, utilizando sistema de refrigeração original do Palácio do Anhembi, sem comprovação de adaptações para minimizar o risco biológico, ou a recirculação de ar.

Associação diz que 'denúncias não procedem'

Em nota, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) afirmou que as denúncias "não procedem de forma nenhuma,  na área administrada pela entidade no Hospital Municipal de Campanha do Anhembi".

"É no mínimo curioso que o local tenha recebido aprovação em fiscalização recente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN), que não constatou nenhuma das supostas irregularidades mencionadas pelo Cremesp, órgão que infelizmente tem sido pautado pela política em detrimento da técnica", diz a SPDM.

"As áreas de internação dos pacientes com suspeita são diferentes das áreas de internação de pacientes com confirmação de Covid, sendo que o paciente só é encaminhado ao HMCamp após cumprido um protocolo de evidência diagnóstica. Toda equipe de saúde é capacitada constantemente, inclusive sobre paramentação e desparamentação. Não há falta de lavatórios no local e o fornecimento de EPIs dentro dos padrões exigidos pela Anvisa ocorre a todos os colaboradores, com reposição diária ou conforme necessidade. Também não faltam equipamentos para a assistência e não existem leitos improvisados ou irregulares", acrescenta a nota.

A SPDM afirma, ainda, que os protocolos de atendimento no hospital estão em absoluta conformidade com as diretrizes definidas pela prefeitura de São Paulo, parceira neste projeto.

Secretaria de Saúde diz que não foi comunicada

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) também se manifestou sobre o caso e declarou, que, "pela segunda vez consecutiva", o Cremesp divulgou relatório de visita no hospital sem compartilhá-lo anteriormente com a pasta. A secretaria avaliou que isso "contraria o código de ética da própria instituição, que estabelece o sigilo do relatório de vistoria".

A SMS afirma que o Dr Luiz Carlos Zamarco,  coordenador do Núcleo de Assistência Hospitalar do Comitê de Coronavírus da Secretaria Municipal da Saúde, tomou conhecimento do interesse do Cremesp em realizar uma videoconferência na próxima sexta-feira (26), para apresentar o documento previamente divulgado pela imprensa.

"Quando receber o relatório, a Secretaria se compromete a responder todos os apontamentos às indagações do órgão e enfatiza que as vistorias de Conselhos e demais órgãos de vigilância fazem parte da rotina hospitalar e, portanto, contribuem com o objetivo de prestação de assistência de qualidade", diz a SMS, em nota.

O Hospital Municipal de Campanha do Anhembi, criado pela prefeitura de São Paulo, é administrado pelas Organizações Sociais SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e IABAS - Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde.

Até o dia 24 de junho, foram atendidos 4.698 pacientes, dos quais 3.771 foram curados e tiveram alta. Sua estrutura foi preparada para atender até 1.800 mil pacientes desafogando a estrutura dos hospitais existentes no município.

Atualmente, o Hospital de Campanha do Anhembi tem 871 leitos operando. Desses, 221 ocupados, sendo 207 pessoas em enfermaria e 14 em leitos de estabilização. Há alas que ainda não foram ativadas, mas que estão prontas para serem colocadas em funcionamento a qualquer momento caso seja necessário. A pasta ainda esclarece que o pagamento às Organizações Sociais que administram o Hospital só é realizado pelo leito operacional.