Hospitais retomam cirurgias eletivas, mas previsão de exames em 2020 cai 32%

O meio médico prevê que o apagão de cirurgias e procedimentos que não têm urgência pode trazer prejuízos para a saúde pública do Brasil

Pedro Duran e Alexa Meirelles, da CNN em São Paulo
27 de junho de 2020 às 21:44 | Atualizado 27 de junho de 2020 às 21:59

Assim como setores da economia, os hospitais também começaram a colocar na prática uma retomada gradual das atividades. A notícia é importante para quem tem um problema de saúde que não é emergencial, mas precisa de uma cirurgia.

A Associação Nacional dos Hospitais privados aponta que a retomada das cirurgias eletivas já está acontecendo na prática, mas ainda assim os exames e consultas eletivas previstos para 2020 devem terminar o ano com 32% a menos do que a expectativa.

O Hospital 9 de Julho, no centro de São Paulo, por exemplo, fazia 80 cirurgias por semana. Com a chegada do coronavírus, passou a fazer apenas 20. Hoje, já está realizando 60 operações, com a retomada gradual dos agendamentos e um novo protocolo de segurança e proteção.

As máscaras cirúrgicas simples foram trocadas por máscaras do tipo N95, que são mais resistentes, filtram mais o ar e duram pelo menos duas semanas. O escudo facial com placa de acrílico também está sendo utilizado. E, na hora das cirurgias, as salas são esvaziadas. Equipamentos como os robôs usados em operações minimamente invasivas e até parte do mobiliário são retirados do espaço para poder liberar a área do hospital. O tempo de preparo das salas, que era de 20 minutos, pulou para 50 minutos.

Os procedimentos eletivos são aqueles que não têm urgência ou emergência e, por isso, costumam ser agendados. Neles, o pré-operatório é mais completo, com mais exames para ver se o corpo está preparado para se submeter e como vai reagir à operação. Entram na conta também exames e consultas para monitoramento da saúde e procedimentos estéticos, como a troca da prótese mamária, por exemplo.

O meio médico prevê que o apagão de cirurgias e procedimentos eletivos pode trazer prejuízos para a saúde pública do Brasil. A visão de muitos profissionais é de que o medo dos pacientes de irem ao hospital para não serem contaminados pelo coronavírus faz com que eles ignorem ou minimizem sintomas importantes e sinais de alerta para doenças graves.

Cores marcam risco

O uso de cores também tem sido adotado pelos hospitais para separar os espaços dependendo da confirmação ou não da infecção por coronavírus. As cores são impressas em portas, placas, equipamentos, móveis e macas.

Um dos modelos mais frequentes nas unidades da rede privada usa verde, azul ou amarelo e vermelho da seguinte maneira:

Verde - áreas para pacientes que testaram negativo para Covid-19

Azul - áreas para pacientes que ainda não têm o resultado do teste

Vermelho - áreas para quem foi infectado com o coronavírus.