'Ganho inestimável', diz diretor da Bio-Manguinhos sobre parceria com Oxford


Da CNN, em São Paulo
29 de junho de 2020 às 18:10 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 20:34

O diretor da Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Mauricio Zuma, falou à CNN nesta segunda-feira (29) sobre a vacina contra o novo coronavírus que está sendo produzida pelo laboratório em parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra. Segundo Zuma, o compartilhamento de tecnologia é um "ganho inestimável”.

O anúncio da parceria foi feito pelo governo brasileiro no sábado (27). A Fiocruz receberá a tecnologia e insumos.

“Incorporar uma tecnologia que ainda não é dominada no país traz ganhos muito grandes. Com isso, vamos poder ter maior capacidade de desenvolver novos produtos em menos tempo e poderemos aproveitar, sim, para desenvolver outras vacinas no futuro”, afirmou Zuma.

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Zuma explicou que o processo se dará em duas fases principais. Inicialmente, o país receberá o princípio ativo da vacina, o chamado “ingrediente farmacêutico ativo”, e o processamento final desse ingrediente será feito em Bio-Manguinhos. “Vamos preparar o ingrediente, envasar, rotular, embalar e entregar para o Ministério da Saúde”, explicou.

A segunda fase será a incorporação da produção do próprio ingrediente farmacêutico ativo. “Nesse segundo momento, nós incorporamos a produção total da vacina e passamos a ser autossuficientes na produção dela aqui no país”. 

A vacina está na terceira fase dos estudos clínicos, em que está sendo avaliada a sua eficácia e segurança.

“Há uma expectativa grande, porque as fases iniciais dessa vacina trouxeram resultados promissores. Esperamos conseguir nessa fase três o resultado suficiente para que a vacina comprove sua eficácia e possa ser aprovada e registrada pela Anvisa e, posteriormente, distribuída para a população”, disse Zuma. 

É esperado que os primeiros resultados comecem a ser gerados no mês de outubro deste ano.

De acordo com o diretor da Bio-Manguinhos, será possível “produzir doses da vacina suficientes para a população inteira ao longo do tempo” e, havendo disponibilidade extra, poderá ser distribuída para outros países, como os da América Latina, “que certamente não conseguirão produzi-la por falta de instalação e produção em seus países”.