Teste de vacina contra Covid-19 pode durar um ano, diz pesquisador da Fiocruz

Croda explica também que a resposta imunológica da vacina a doença não significa que ela é efetiva, uma vez que é preciso desenvolver anticorpos contra a Covid

Da CNN, em São Paulo
20 de julho de 2020 às 18:17 | Atualizado 20 de julho de 2020 às 18:45

 

Com a notícia de que a vacina contra a Covid-19 que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford é segura, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda diz que ainda é cedo para comemorar, já que a atual fase de testes pode durar até um ano para que o medicamento seja aprovado para uso na população.

“É necessário rigor científico para saber se a vacina tem eficácia, por conta disso esta fase de testes necessita de acompanhamento de pelo menos um ano. Precisa identificar se a vacina vai gerar resposta imunológica um ano após sua aplicação. Podemos ter resultados parciais até o final do ano que podem antecipar o pedido de registro nas agências reguladoras, mas não tem como prever isso”, disse.

A fundação brasileira tem parceria com a instituição inglesa.

Leia também

Pesquisadora vê chance de vacina de Oxford estar disponível no final do ano

Governo de São Paulo espera concluir testes da vacina Coronavac em até 90 dias

Vacina chinesa apresenta resposta imune em segunda fase de testes

Croda explica que, para que a terceira de fase tenha sucesso, é preciso que as vacinas sejam aplicadas em ambientes com alta circulação do vírus para que tanto o grupo vacinado quanto o placebo sejam expostos à Covid-19.

Esse também o motivo de terem escolhido médicos e paramédicos para os testes das vacinas, uma vez que estes profissionais atuam expostos ao vírus constantemente.

Croda explica também que a resposta imunológica da vacina à doença não significa que ela é efetiva, pois é preciso desenvolver anticorpos contra o novo coronavírus.

"Os testes [da vacina de Oxford] mostraram boas respostas de anticorpos, mas isso não significa que ela irá gerar proteção. Só o acompanhamento vai mostrar se é eficaz ou não. O que temos é uma resposta imunológica contra a doença, mas isso não significa que ficaremos protegidos”, alerta.

(Edição: Paulo Toledo Piza).