Saúde negocia parceria com a Opas para suprir falta de medicamentos de intubação


Da CNN
30 de julho de 2020 às 18:14

O ministro da Saúde interino, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira (30) que o governo federal prepara um acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas) para a aquisição de medicamentos no mercado global. 

Em especial, o acordo envolve a compra de insumos necessários para atender pacientes que precisam ficar intubados. Os medicamentos precisam ser utilizados em conjunto com o uso de respiradores nesses quadros clínicos, que são as versões mais graves da Covid-19.

Segundo Pazuello, o acordo com a Opas deve ser sacramentado até sexta-feira (31), com os medicamentos chegando ao país em um prazo de duas a três semanas. O ministro interino fez a fala durante reunião com membros da organização e do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass).

Medicamentos para a intubação também estiveram em um acordo fechado mais cedo neste mês, com o Uruguai. De acordo com o Ministério da Saúde, esses insumos foram destinados aos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A compra também incluiu doses de hidroxicloroquina e tamiflu.

No início da semana, o Ministério Público Federal (MPF) enviou ofícios ao governo federal afirmando ter recebido informações de hospitais públicos e privados que atendem ao SUS da carência desses insumos no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Sergipe.

Questionado sobre o ofício do MPF, o Ministério da Saúde respondeu à CNN na segunda-feira que "auxilia estados e munícipios a realizarem suas compras de relaxantes musculares e sedativos para pacientes internados com Covid-19".

"Sobre qualquer questionamento do Ministério Público ou outros órgãos de controle, a pasta entende que faz parte da administração e da transparência de gestão. Trata-se de uma ação extremamente salutar. A resposta será dada dentro do prazo estipulado", completa a pasta.

Testes

Durante o evento desta quinta-feira, os técnicos da Saúde não citaram, no entanto, a compra de insumos para poder aplicar um estoque de 9,8 milhões de testes do tipo RT-PCR, o "exame do cotonete", que é considerado o principal para a detecção de infecções ativas pelo coronavírus.

O número é quase o dobro dos cerca de 5 milhões de unidades entregues até agora pelo governo federal aos estados e municípios. 

O principal motivo para os testes ficarem parados nas prateleiras do ministério é a falta de insumos usados em laboratório para processar amostras de pacientes. Isso porque, segundo informam secretários de saúde, não adianta só enviar o exame, também é preciso distribuir reagentes específicos.

Assista e leia também:

Ministério da Saúde tem 9,8 milhões de testes parados por falta de insumos

MPF cobra Saúde sobre medidas contra desabastecimento de kits de intubação

Só um terço dos profissionais de saúde foi testado para Covid-19, diz pesquisa

A informação foi questionada pelo Ministério da Saúde em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, em que a pasta afirmou que "distribui os testes conforme a capacidade de armazenamento dos estados".

"Ressaltamos que os kits de extração são distribuídos de acordo com as demandas estaduais e o Ministério também disponibiliza centrais de testagem, que podem ser utilizadas pelos gestores locais quando a capacidade de produção dos laboratórios estaduais chega ao seu limite”, prossegue o ministério.

(Com informações de Carla Bridi, da CNN em Brasília, Guilherme Venaglia e Pedro Teodoro, da CNN em São Paulo)