Correspondente Médico: Como identificar os primeiros sinais da depressão?


Da CNN
07 de agosto de 2020 às 11:29

Michelle Obama, ex-primeira dama dos Estados Unidos, disse estar sofrendo de uma 'leve depressão'. Entre os motivos está a pandemia do novo coronavírus, as relações raciais nos EUA e o conflito político em torno destas questões. 

Na edição desta sexta-feira (7) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou o que é uma depressão leve, quais são os outros níveis da doença e como impacta o cérebro humano.

De acordo com ele, cerca de 20% da população vai apresentar a doença em algum momento da vida. "A Michelle é uma pessoa muito querida e quando fala isso para o público, faz um grande serviço para que todos prestem atenção. É um problema de saúde pública", iniciou.

"O desfecho final de uma depressão não tratada pode ser a morte. Ao identificar, muito mais do que tristeza, uma falta de interesse pelas coisas, uma sensação de baixa autoestima, culpa, alteração de sono e alimentação, interferência na sua produtividade no trabalho, é preciso ficar atento. Isso pode ser depressão", listou o médico, que chamou a atenção para os sintomas. 

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Em sua avaliação, existe, sim, níveis diferentes da doença. Ela pode evoluir de um quadro leve para até casos mais graves.

"Quando você tem um quadro leve da doença, a pessoa sofre bastante, mas ela não tem uma incapacidade de realizar suas tarefas. Em casos moderados, ela sobre e tem algumas alterações de desempenho no trabalho. Em casos mais graves, o indivíduo fica totalmente incapacitado e, nestes casos, ele merece ser diagnosticado e tratado prontamente", explicou.

Em caso de diagnóstico, o impacto da doença no cérebro chama a atenção dos especialistas. De acordo com Fernando Gomes, o quadro está diretamente relacionado com os neurotransmissores, responsável por levar informações para diversos 'circuitos' do cérebro, incluindo a responsável por gerenciar o humor. 

"Existe todo um processo de tratamento eficiente para colocar todos os neurotransmissores e neurônios funcionando de maneira plena e eficiente. Mas lembro também que de 40% a 50% das pessoas que desenvolvem a doença estão ligadas à uma questão hereditária", reforçou. 

E acrescentou: "É importante que estas pessoas busquem ajuda profissional multidisciplinar, que envolve psicólogos e psiquiatras. Todo este processo pode envolver um cenário de mudança na vida do indivíduo, reforçando ainda mais a importância de um acompanhamento atento à doença", finaliza.

(Edição: André Rigue)