'Dose de reforço da vacina de Oxford pode aumentar imunização', diz pesquisadora

Coordenadora do estudo no Brasil explica próximos passos da pesquisa

Da CNN
11 de agosto de 2020 às 11:53 | Atualizado 11 de agosto de 2020 às 12:26

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a aplicação de uma segunda dose nos testes realizados no Brasil da possível vacina para Covid-19 desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido, conforme publicação no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (10). Além disso, o limite de idade das pessoas que participam do estudo foi ampliado de 55 para 69 anos.

Em entrevista à CNN, na manhã desta terça-feira (11), Lily Yin Weckx, pesquisadora da vacina de Oxford no Brasil e coordenadora do CRIE/Unifesp, afirmou que com a segunda dose da vacina, os tipos de anticorpos são ainda mais elevados, aumentando a chance de imunização.

"Essa mudança foi baseada em dados que nós obtivemos a partir de dados publicados pelos estudo em fase 1 no Reino Unido. A pesquisa mostrou que com uma resposta imune muito boa. No entanto, eles também mostraram que se a gente aplicar uma segunda dose de reforço, os tipos de anticorpos são ainda mais elevados. Por este motivo, os britânicos resolveram modificar os protocolos nos testes" explicou. 

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Pesquisadora Lily Yin Weckx esclarece dúvidas sobre a vacina de Oxford
Foto: Reprodução / CNN

A pesquisadora ainda afirma que as chances da dose desencadear um efeito colateral são menores, uma vez que, de acordo com o que se observou nos estudos preliminares. "Se eu tenho uma reação como dor local e febre após tomar a primeira dose, quando se toma o medicamento de reforço os efeitos diminuíram muito. Isso também é um dado muito favorável", disse. 

Os estudos também mostraram uma alta eficiência com pessoas em idade mais avançada. "Esta observação nos permitiu trazer isto também para o Brasil", afirmou. E prosseguiu: "Agora nossos estudos vão até esta idade. O que é muito bom porque ele será ainda mais semelhante ao uso que poderá ser feito no Brasil, que possui a categoria de idosos no grupo de risco", completa.

Yin Weckx também comentou o anúncio da primeira vacina contra Covid-19 registrada pela Rússia. De acordo com ela, pouco se sabe sobre a eficácia da vacina russa e que "parece que a fase de eficácia não foi feita".

"É muito difícil você opinar sobre algo que absolutamente desconhece. Nós temos 160 vacinas sendo desenvolvidas por todo o mundo. Nós não temos notícias da vacina russa. Será que ela passou por todas as fases? Como isto está ocorrendo? Nós não sabemos", indagou. E continuou: "Será que, por questões de emergência, eles estão pulando esta fase de eficácia? Parece que esta fase não foi feita", finalizou.

(Edição: André Rigue)