Anvisa derruba retenção de receita para cloroquina e ivermectina, diz Bolsonaro


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
13 de agosto de 2020 às 19:50 | Atualizado 13 de agosto de 2020 às 21:10

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (13), em transmissão ao vivo nas redes sociais, que a hidroxicloroquina e a ivermectina poderão ser compradas sem a retenção obrigatória da receita pelas farmácias.

Apesar da falta de comprovação científica da eficácia, os medicamentos são defendidos pelo presidente e por integrantes do governo para o tratamento de casos de Covid-19.

Bolsonaro afirmou que foi informado por Antônio Barra, diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da nova regulação. Quem desejar comprar os medicamentos continuará precisando da receita assinada por um médico, mas com um grau a menos de exigência. A retenção impede, por exemplo, que receitas sejam reaproveitadas.

Segundo o presidente, a exigência da dupla via evitava a compra de grandes quantidades para revenda, mas isso foi alterado. "Evitar a compra para fazer negócio, para revender, para fazer estoque agora, a Anvisa fez uma resolução de que precisava de uma receita dupla via, com retenção, mas isso mudou agora", disse.

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Bolsonaro ergue caixa de hidroxicloroquina em frente a multidão em Brasília

Bolsonaro ergue caixa de hidroxicloroquina em frente a multidão algomerada no Palácio da Alvorada, em Brasília

Foto: Reprodução/Facebook

Estoque

O presidente Jair Bolsonaro defendeu as críticas ao fato de ele ter pedido que o laboratório do Exército produzisse hidroxicloroquina e admitiu um estoque de cerca de 4 milhões de comprimidos. Segundo Bolsonaro, esse estoque há, mas não exclusivamente dessa fonte de produção.

O presidente também argumentou que os o Brasil utiliza em torno de 3 milhões por ano para combater às doenças para as quais o uso da cloroquina é recomendado, no caso a malária, lúpus e artrite, "então nada vai ser jogado fora".

Privatizações

Bolsonaro comentou as saídas dos secretários de Desestatização, Salim Mattar, e da Desburocratização, Paulo Uebel. Ele disse que as mudanças aconteceram de forma pacífica e que Mattar "sentiu as dificuldades que nós sentimos" em privatizar empresas estatais.

O presidente voltou a dizer que gostaria de privatizar os Correios afirmou que há resistências na oposição e nos sindicatos à venda das empresas públicas. "Não é fácil vender uma empresa, privatizá-la, é uma burocracia enorme", disse.

Temer

Jair Bolsonaro disse que convidou o ex-presidente Michel Temer (MDB) para chefiar a missão humanitária no Líbano porque ele é de origem libanesa e admitiu uma aproximação com o emedebista. "Por que convidei Michel Temer? Porque ele é filho de libaneses, é ex-presidente da República. Me sinto muito bem em conversar com ele", disse.

Ao justificar o apoio ao Líbano, Bolsonaro relembrou o envio de militares e insumos ao Brasil por parte do governo de Israel após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019.