Oxford e AstraZeneca: entenda tudo sobre a vacina em fase final de testes


Karla Chaves e Luana Franzão da CNN, em São Paulo
13 de agosto de 2020 às 18:15

A corrida pela aprovação de uma vacina que seja eficaz contra o novo coronavírus tornou-se uma prioridade global. Diversas instituições realizam pesquisas incessantemente, e seis vacinas estão na fase final dos testes de segurança em seres humanos. Três delas estão sendo testadas no Brasil: uma chinesa, uma alemã e uma inglesa.

A vacina inglesa é o resultado da parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. Para entender os detalhes e as diferenças entre os diversos projetos, a CNN conversou com Gustavo Cabral, imunologista formado pela própria Oxford, e também em Berna, na Suíça. 

No Brasil, esta vacina está sendo testada em parceria com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Técnica dos ‘vetores virais’

O médico explicou que a técnica desenvolvida pela universidade e pela farmacêutica é relativamente nova. Ela já foi utilizada antes, na produção de vacinas contra outros coronavírus, porém ainda não demonstrou pleno funcionamento na imunização de seres humanos contra a Covid-19.

“A estratégia que eles usam é chamada de 'vetores virais'. Basicamente existe um vírus chamado 'adenovírus'. Usa-se essas estruturas provindas de macacos. E então modificam-no colocando uma parte do vírus do corona, o SARS-CoV-2”, explicou o pesquisador. O sistema imunológico deveria reconhecer essas moléculas como invasoras e produzir defesas contra elas, assim induzindo à imunidade contra a Covid-19.

Desvantagens

Nos testes iniciais, esse projeto preveniu o desenvolvimento da Covid-19, mas, ainda assim, células de macacos chegaram a ser infectadas pelo vírus. 

“Essa vacina injetou o vírus nos macacos, para observar se ela protege. Não protegeu da infecção viral. O vírus entrou na célula, mas ele induziu a carga viral a ficar baixa. Não houve proteção, mas ele levou a carga viral a ficar tão baixa que não desenvolveu a doença”, explicou o cientista.

Um ponto importante, entretanto, é que, segundo Cabral, mesmo que a pessoa não adoeça, ela ainda pode transmitir o vírus para outras pessoas. Como ele ainda está presente no corpo, pode ser liberado por secreções, por exemplo.

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O principal objetivo dessa última fase de testes é entender se, depois dos ajustes feitos pelos pesquisadores, a vacina será capaz de evitar que o vírus invada as células. “É importante entender que, se o vírus não entrar na célula, ele é um lixo biológico, não serve para nada”, explicou Gustavo Cabral.

Quem são os desenvolvedores?

Universidade de Oxford

Universidade de Oxford, no Reino Unido

Foto: Pikist

Fundada em 1096, a Universidade de Oxford é uma das instituições mais antigas e respeitadas no mundo. Passaram por lá o astrofísico Stephen Hawking, os filósofos John Locke e Thomas Hobbes e os primeiros-ministros do Reino Unido David Cameron, Theresa May e, o atual, Boris Johnson. Suas pesquisas são reconhecidas pela comunidade científica global. 

A AstraZeneca, empresa farmacêutica parceira, nasceu da fusão entre a sueca Astra AB e a inglesa Zeneca Group. Um de seus medicamentos mais vendidos mundialmente é o Budecort Aqua, anti-inflamatório que ajuda a controlar alergias e infecções nasais.