Síndrome em crianças pode ocorrer em até 3 semanas após infecção por Covid-19

Segundo dados do Ministério da Saúde, país registrou 117 casos e nove óbitos devido à condição

Da CNN, em São Paulo
14 de agosto de 2020 às 19:40

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica é uma das principais complicações em crianças e adolescentes infectados pelo novo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, pelo menos 117 crianças já tiveram confirmação de Covid-19 e nove morreram pela doença no país.  

De acordo com o pediatra e infectologista Marco Aurélio Sáfadi, presidente de imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a síndrome foi inicialmente identificada na Europa, posteriormente na América do Norte e, agora, no Brasil.

O especialista explica que a síndrome é resultado de uma complicação tardia da Covid-19, que tem ocorrido, em média, de duas a três semanas após crianças e adolescentes terem contraído o Sars-CoV-2.

A maioria dos pacientes afetados pela síndrome têm entre 7 e 10 anos de idade. As principais características da condição são febre intensa e dor abdominal.

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Pediatra e infectologista, Marco Aurélio Sáfadi, durante entrevista para a CNN (
Pediatra e infectologista, Marco Aurélio Sáfadi, durante entrevista para a CNN (14.ago.2020)
Foto: CNN Brasil

Mas há também a ocorrência, de acordo com Sáfadi, de diversos outros sinais que expressam a agressão do vírus. Manifestações pulmonares e gastrointestinais, como vômitos e diarreias, além de lesões na pele e agressão no coração e no sistema nervoso são observados em alguns pacientes.

“Por isso chamamos de síndrome multissistêmica, pois acomete vários órgãos; e inflamatória porque é caracterizada por uma intensa inflamação”, explicou.

De acordo com o infectologista, quando os pacientes são internados, recebem medicamentos não para tratar da Covid-19, mas para modular o que aconteceu em função da resposta imune do organismo, que parece ser o que desencadeia a condição.

Apesar de especialistas ainda não terem certeza se a síndrome pode ou não deixar sequelas em longo prazo, o Sáfadi afirma que os resultados, no que diz respeito ao reestabelecimento dos pacientes, são ótimos.